Vivemos tempos de profunda miséria política. Não falo aqui da falta de recursos públicos ou da escassez de políticas públicas eficazes, mas da carência de maturidade política de boa parte do nosso povo. Uma pobreza que não está nos bolsos, mas nas consciências.
Enquanto a politicagem corre solta nas câmaras, no Senado e nos corredores do poder, muitos cidadãos comuns se torturam mutuamente, transformando descontentamentos em armas. Famílias estão sendo rasgadas por disputas ideológicas. Casamentos, amizades e até vizinhanças inteiras se desfazem por causa de rótulos, memes e frases feitas.
De um lado, a esquerda grita; do outro, a direita revida. No meio, o respeito vira alvo, o diálogo se cala, e a empatia é vista como fraqueza. A polarização nos transformou em juízes e carrascos uns dos outros, enquanto os verdadeiros responsáveis pela crise democrática – os que vivem da política e não para ela – seguem intocáveis, trocando favores e discursos vazios em nome do próprio poder.
A sociedade está adoecendo, e quem mais sofre são aqueles que, muitas vezes, nem sabem por que estão brigando. Estão apenas repetindo palavras de ordem sem saber ao certo quem são os beneficiados por tanta divisão.
É urgente retomar a capacidade de conversar, de discordar com respeito, de enxergar que nosso maior inimigo não é quem pensa diferente, mas sim quem lucra com nossa desunião. Precisamos sair da guerra entre vizinhos para olhar de frente os verdadeiros embates: os que definem se teremos ou não saúde, educação, justiça, trabalho e dignidade.
Enquanto nos matamos nas redes, nos grupos de família e nas ruas, os palácios continuam de pé, firmes, e cheios de gente que se alimenta da nossa cegueira.
Acordar é urgente. Dialogar é revolucionário. Amar o Brasil é muito mais do que defender um lado.