A Febratex 2026 encerrou sua programação em Blumenau (SC) colocando em pauta um dos principais desafios da indústria da moda: entender as transformações no comportamento do consumidor e transformar essas mudanças em decisões mais estratégicas para o desenvolvimento de produtos. Entre os destaques da feira esteve a segunda edição do Radar Têxtil, desenvolvido pela New & Now em parceria com o Febratex Group, que apresentou as principais direções para o Verão 2028.
Mais do que apontar cores, materiais ou modelagens, a pesquisa buscou interpretar os movimentos que estão por trás das escolhas do consumidor. O estudo reuniu referências internacionais, observações de comportamento e informações sobre tecnologia, design, arte, varejo e moda, conectando esse repertório às soluções apresentadas pelos próprios expositores da Febratex.
O resultado foi apresentado em um espaço expositivo que permitiu aos visitantes não apenas visualizar, mas também tocar e conhecer materiais, tecidos, aviamentos, acabamentos e tecnologias relacionados às tendências identificadas.
“Primeiro precisamos entender o que está mudando na forma como as pessoas vivem, sentem, escolhem e consomem. Depois, começamos a observar onde essa mudança aparece: no comportamento, na arte, no design, na tecnologia, no varejo, nas ruas e, claro, nas feiras e semanas de moda”, explica Symone Rech, especialista em negócios de moda e fundadora da New & Now, responsável pela condução da pesquisa.
Três movimentos que devem influenciar o Verão 2028
O Radar Têxtil identificou três grandes direções para a temporada: Autoria, Euforia e Sintonia. Os conceitos traduzem diferentes comportamentos e desejos que devem ganhar força nos próximos ciclos de consumo.
Autoria representa um consumidor cada vez mais interessado em expressar individualidade, misturar referências e personalizar produtos. Euforia traduz a busca por prazer, energia e leveza, abrindo espaço para cores, volumes descontraídos e elementos de maior impacto visual. Já Sintonia aponta para escolhas mais conscientes e equilibradas, com valorização do conforto, da versatilidade, da durabilidade e de materiais capazes de acompanhar diferentes momentos de uso.
Para Symone, o principal valor da pesquisa está justamente em compreender o contexto que dá origem a uma tendência, e não simplesmente reproduzir uma determinada estética.
“Mais importante do que apostar em um shape ou em uma cor isolada é entender por que aquela escolha está ganhando força e se ela realmente conversa com o consumidor da marca”, afirma.
Da pesquisa internacional à realidade brasileira
Nesta edição, o estudo também incorporou observações realizadas em importantes eventos internacionais, como a Première Vision, em Paris, a London Textile Fair, em Londres, e a Micam, em Milão. O conteúdo foi posteriormente relacionado aos materiais e às tecnologias encontrados nos estandes da própria Febratex.
A proposta foi aproximar o que acontece nos principais polos internacionais de inovação daquilo que já está sendo produzido e desenvolvido pela cadeia têxtil brasileira.
O projeto contou ainda com a SY.A, inteligência artificial criativa da New & Now, utilizada para desenvolver possibilidades de produtos a partir de materiais apresentados pelos expositores. A ferramenta ajudou a transformar conceitos abstratos de tendência em possibilidades concretas de aplicação, mostrando como os insumos disponíveis no mercado podem ganhar novas interpretações.
Tendência como ferramenta de negócio
Para o Febratex Group, a iniciativa reforça o papel da feira como plataforma de conexão entre indústria, tecnologia, desenvolvimento de produtos e inteligência de mercado.
“Queríamos ir além do maquinário e entregar inteligência estratégica de ponta. A proposta do Radar Têxtil é mostrar para o mercado e para os visitantes tudo aquilo que os nossos expositores estão produzindo de mais inovador, tecnológico e conectado às tendências”, afirma Giordana Madeira, diretora-executiva do Febratex Group.
Segundo ela, antecipar mudanças de comportamento pode contribuir para decisões que vão muito além da criação de uma coleção, impactando áreas como escolha de matérias-primas, pesquisa e desenvolvimento, planejamento de estoques e estratégias de marketing.
“O Radar Têxtil funciona como um acelerador de eficiência, ele encurta o tempo entre a identificação de um comportamento de consumo e o produto final na prateleira”, destaca Giordana.
A proposta da New & Now segue a mesma lógica: aproximar a pesquisa de tendências das decisões práticas da indústria e transformar informação em estratégia.
“Tendência só ganha valor quando ajuda a tomar uma decisão. Quando contribui para escolher melhor uma cor, um material, uma modelagem ou uma direção de coleção”, conclui Symone.
Com a segunda edição do Radar Têxtil, a Febratex 2026 reforça uma mudança importante no setor: antecipar o futuro da moda não significa apenas prever o que estará nas vitrines, mas compreender por que as pessoas irão desejar, escolher e consumir determinados produtos.
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