A audiência pública da Comissão Especial pela Equidade dos Serviços Hospitalares reuniu as principais entidades médicas do Rio Grande do Sul — Cremers, Amrigs e Simers — junto a gestores de hospitais que atendem pelo SUS. O objetivo foi debater a crise da saúde pública e buscar caminhos viáveis para um atendimento mais eficiente e humanizado.
Um dos destaques do encontro foi a palestra do secretário de Saúde de São Paulo, doutor Eleuses Paiva, que apresentou os resultados da reestruturação do sistema paulista. Segundo ele, o avanço se deu por meio de um conjunto de medidas integradas, com destaque para a regionalização do atendimento e a redistribuição equitativa de recursos entre as regiões do Estado.
“Reajustamos os valores da tabela do SUS, chegando a até 400% de aumento em alguns procedimentos. Com isso, os municípios passaram a cumprir metas como reduzir filas por meio de mutirões, ampliar a cobertura vacinal e intensificar os exames preventivos”, explicou Paiva.
Os reflexos das mudanças foram significativos: o número de cirurgias eletivas saltou de 700 mil para 1,2 milhão por ano, representando um crescimento de mais de 60%. Além disso, o controle dos gastos foi reforçado com a designação de chefes de gabinete como ordenadores de despesas, sob fiscalização do Ministério Público e do Tribunal de Contas.
A importância da Atenção Básica
A secretária de Saúde do RS, Arita Bergmann, destacou a relevância da experiência paulista como inspiração para outras regiões. “Foi uma oportunidade importante conhecer uma estratégia que já apresenta melhorias concretas nos indicadores de saúde. Aqui no Estado, com o programa Assistir, ampliamos em 490% as cirurgias eletivas e em 251% o número de consultas, otimizando os recursos conforme a produção de serviços”, afirmou.
Para o relator da Comissão Especial, deputado Dr. Thiago Duarte, o fortalecimento da Atenção Básica é um passo essencial para desafogar os hospitais. “Estudos mostram que 80% dos atendimentos hospitalares poderiam ser resolvidos em unidades básicas de saúde. Precisamos de investimentos onde o problema começa.”
O parlamentar aproveitou o encontro para pedir o apoio do governo paulista na articulação junto ao Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), que nesta sexta-feira (11) analisará o projeto Pró-Hospitais, proposto para financiar e fortalecer a rede hospitalar gaúcha.
