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Sábado, 01 de Agosto 2026
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Transferência do aeródromo abre perspectiva de novo eixo urbano para Capão da Canoa

Operação prevê complexo aeroportuário modernizado em Maquiné e poderá liberar uma área estratégica às margens da ERS-407 para novos investimentos, geração de empregos, urbanização e valorização do entorno

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
Transferência do aeródromo abre perspectiva de novo eixo urbano para Capão da Canoa
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Capão da Canoa poderá iniciar um novo ciclo de expansão urbana e econômica com a transferência do atual aeródromo para Maquiné. A operação, aprovada pelo Governo do Rio Grande do Sul, prevê a construção de uma estrutura aeroportuária mais moderna no município vizinho e, após sua conclusão e autorização de funcionamento, a destinação da área atualmente ocupada junto à ERS-407 para um futuro empreendimento imobiliário.

A mudança apresenta benefícios em duas frentes. De um lado, cria condições para modernizar a infraestrutura aérea do Litoral Norte, com pista asfaltada e instalações operacionais mais completas. De outro, abre para Capão da Canoa a possibilidade de planejar uma nova ocupação para uma área considerada estratégica, cercada por bairros residenciais e localizada em um dos principais corredores de entrada e circulação da cidade.

A permuta envolve o Estado e a Capão Um Empreendimento Imobiliário SPE Ltda. O atual terreno do aeródromo de Capão da Canoa foi avaliado em R$ 10,43 milhões. A operação também inclui parte de um imóvel estadual em Porto Alegre, avaliada em R$ 11,6 milhões. Como contrapartida, a empresa entregará uma área em Maquiné, avaliada em R$ 4,82 milhões, e realizará investimento estimado em aproximadamente R$ 21 milhões na construção do novo complexo aeroportuário.

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O projeto em Maquiné deverá contar com pista asfaltada, hangar, heliponto, estacionamento, alojamentos, salas administrativas, sala de simulador de voo, auditório, depósitos, refeitório e instalações destinadas ao Centro de Formação Aeropolicial da Brigada Militar. A estrutura substituirá a atual pista de grama e busca oferecer melhores condições de segurança, treinamento e operação aérea para a região.

A obra ainda depende da autorização da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac. Depois da liberação, a previsão informada é de aproximadamente 18 meses para a execução. A área atual somente deverá ser definitivamente transferida após a conclusão e a autorização de funcionamento do novo aeródromo, evitando a interrupção das atividades da Brigada Militar e da aviação geral.

Um novo uso para uma área estratégica

Para Capão da Canoa, o principal impacto estará na possibilidade de incorporar a área do atual aeródromo ao planejamento urbano do município. O terreno está localizado às margens da ERS-407 e próximo de áreas residenciais já consolidadas, o que pode estimular a criação de um novo vetor de desenvolvimento entre a entrada da cidade, os bairros do entorno e as regiões de expansão imobiliária.

A transformação de uma área antes limitada à operação aeroportuária poderá gerar demanda por obras de infraestrutura, abertura ou qualificação de acessos, serviços urbanos, paisagismo, comércio e novos empreendimentos. Os efeitos concretos dependerão do projeto que vier a ser apresentado, das regras municipais de ocupação do solo e dos respectivos licenciamentos.

Ainda assim, operações dessa dimensão possuem capacidade de movimentar diferentes setores. Durante a implantação, poderão ser contratados trabalhadores da construção civil, engenheiros, arquitetos, técnicos, transportadores, prestadores de serviços e fornecedores de materiais. Depois da conclusão, a nova ocupação poderá ampliar a circulação econômica e favorecer atividades comerciais e de serviços nos bairros próximos.

A mudança também poderá contribuir para a continuidade da malha urbana. Atualmente, a área aeroportuária funciona como uma grande superfície de uso específico dentro de uma região em crescimento. Sua futura integração ao tecido da cidade poderá criar novas conexões e aproximar bairros que hoje se desenvolvem ao redor do terreno.

Duani Teixeira projeta valorização do entorno

Ao comentar os efeitos esperados para os imóveis localizados nas proximidades, Duani Teixeira, CEO da D1 Empreendimentos, afirmou que o futuro uso da área deverá produzir forte valorização imobiliária.

“Muita gente me pergunta o que vai acontecer com as casas aqui na volta do aeródromo de Capão da Canoa. Vai acontecer algo muito importante: elas vão valorizar muito. Vão dobrar de valor, triplicar de valor, porque aqui, daqui a alguns anos, haverá um empreendimento maravilhoso que vai valorizar toda esta região”, declarou Duani Teixeira em manifestação encaminhada para esta pauta.

A projeção expressa a avaliação do empresário sobre o potencial de transformação da região. A valorização efetiva de cada imóvel, no entanto, dependerá de fatores como características do futuro empreendimento, investimentos em infraestrutura, mobilidade, regras urbanísticas, oferta e procura, condições econômicas e comportamento do mercado.

A manifestação chama atenção para um efeito comum em grandes intervenções urbanas: quando uma área recebe novos acessos, serviços, equipamentos, paisagismo e ocupação planejada, os imóveis do entorno podem passar a ser mais procurados. A intensidade desse movimento somente poderá ser medida depois da apresentação do projeto e do avanço das respectivas etapas administrativas e construtivas.

Benefícios que ultrapassam os limites municipais

Embora a área do atual aeródromo esteja em Capão da Canoa e o novo complexo seja projetado para Maquiné, a operação deve ser observada como uma intervenção de alcance regional.

Maquiné poderá receber uma estrutura aeroportuária mais moderna, com melhores condições operacionais para a aviação e para o Centro de Formação Aeropolicial. Capão da Canoa, por sua vez, poderá incorporar uma área estratégica ao processo de expansão urbana e receber um empreendimento capaz de movimentar investimentos, empregos, construção civil, comércio e prestação de serviços.

A proximidade dos dois municípios e a ligação pela ERS-407 reforçam a possibilidade de formação de um corredor regional de desenvolvimento. A mesma rodovia que conecta Capão da Canoa à BR-101 também aproxima áreas urbanas, empreendimentos imobiliários, atividades turísticas, serviços públicos e as paisagens da Lagoa dos Quadros.

A região de Maquiné já recebe projetos que combinam mobilidade terrestre, náutica e aérea. Entre eles está o Mônaco Grand Marina, empreendimento da D1 localizado junto à Lagoa dos Quadros, com 367 lotes, 12 hectares de lagos navegáveis, marina, estruturas de lazer e o aeródromo privado D1 Fly.

O D1 Fly integra uma estratégia de conexão entre terra, água e ar, mas é um projeto privado distinto do novo aeródromo público previsto na operação de transferência. A diferenciação é importante para evitar que as duas estruturas sejam apresentadas como um único empreendimento.

Planejamento será determinante

O potencial benefício para Capão da Canoa dependerá da maneira como a futura ocupação será planejada. Além dos interesses imobiliários, o desenvolvimento da área deverá considerar mobilidade, drenagem, saneamento, capacidade viária, preservação ambiental, equipamentos públicos e integração com os bairros existentes.

Um empreendimento de grande escala poderá criar um novo endereço para a cidade, mas também produzirá aumento de circulação, demanda por serviços e necessidade de investimentos públicos e privados. O diálogo entre empreendedores, Prefeitura, órgãos estaduais, moradores e entidades representativas será fundamental para que os resultados sejam distribuídos de forma equilibrada.

A oportunidade está em transformar a área não apenas em um conjunto de imóveis, mas em uma extensão qualificada de Capão da Canoa, com infraestrutura compatível com o crescimento da população e com a importância econômica que o município conquistou no Litoral Norte.

A transferência do aeródromo, portanto, não representa somente uma mudança de pista entre dois municípios. Ela poderá conectar modernização aeroportuária, segurança operacional, desenvolvimento imobiliário e reorganização urbana.

Para Capão da Canoa, a operação abre a possibilidade de converter uma área estratégica em um novo polo de investimentos e oportunidades. Para Maquiné, projeta uma infraestrutura aérea mais completa. Para o Litoral Norte, representa a chance de integrar municípios, melhorar serviços e fortalecer um processo de desenvolvimento que já ultrapassa a antiga lógica de uma região movimentada apenas durante o verão.

FONTE/CRÉDITOS: Por Marcos Medeiros — Jornalista / Rede Regional de Notícias / Redação Imob Business

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Jornalista e assessor de comunicação, com atuação em produção de conteúdo informativo, institucional e sindical. Desenvolve reportagens e projetos estratégicos com foco em credibilidade, transparência e responsabilidade social.

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