Uma fogueira também pode ser uma tecnologia. Entre os povos Guarani, o fogo organiza a vida, reúne gerações e participa da transmissão de saberes ancestrais. É a partir dessa perspectiva que o artista Guarani Xadalu Tupã Jekupé apresenta “Tatá Rupa - Fogo de Pátio”, nova exposição da Galeria da Bienal, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.
A abertura acontece no dia 21 de setembro, às 18h, com entrada gratuita. A mostra permanece aberta à visitação até janeiro de 2027, reunindo pinturas, fotografias, vídeos, instalações e novos trabalhos comissionados que têm o fogo como elemento central para aproximar cosmologia, território, memória e diferentes formas de produzir conhecimento.
Antes da abertura, às 17h, Xadalu participa do talk “Inovar a história: tecnologia, memória e outros modos de produzir conhecimento”, ao lado de Aldones Nino, curador, artista, escritor e diretor de Programas do Collegium, em Arévalo, na Espanha. Nino também assina a curadoria do pavilhão brasileiro na 16ª Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul, que reúne 35 artistas brasileiros, entre eles o próprio Xadalu.
O fogo como conhecimento
Em “Tatá Rupa-Fogo de Pátio”, o fogo deixa de ser apenas um elemento simbólico e assume diferentes dimensões: entidade, presença material, memória e fonte de conhecimento. Na série “Arandu Tatá (Sabedoria do Fogo)”, essa relação aparece de forma especialmente marcante, colocando em diálogo os saberes da cosmologia Guarani e as discussões contemporâneas sobre tecnologia e inovação.
A pesquisa de Xadalu atravessa espiritualidade, história e território, especialmente em diálogo com os processos de apagamento cultural no território do Pampa. Por meio de pinturas, fotografias e instalações, o artista recupera memórias e conhecimentos indígenas, trazendo-os para o presente e questionando quais saberes são reconhecidos como tecnologia.
Artista Guarani, Xadalu é o primeiro artista indígena a integrar o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Sua produção vem construindo pontes entre ancestralidade, arte contemporânea, memória e cidade.
“A parceria com a Fundação Ecarta e Instituto Caldeira reforça a Galeria Bienal como espaço de diálogo institucional.
Um debate contemporâneo sobre história, território e conhecimento ancestral, a partir de olhares que se complementam. É uma oportunidade de colocar a pesquisa de Xadalu sobre a Cosmologia Guarani em diálogo com questões que hoje atravessam a produção artística também fora do Brasil”, afirma Márcio Carvalho, copresidente da Fundação Bienal do Mercosul.
Para Maria Fernanda Santin, copresidente da Fundação, a presença do artista no novo espaço amplia as possibilidades de encontro entre diferentes formas de conhecimento.
“Trazer o trabalho de Xadalu para esse novo espaço é também ampliar a possibilidade de encontro entre diferentes formas de conhecimento. O fogo, na exposição, não aparece como memória de algo que ficou para trás, mas como uma presença que continua produzindo relações, saberes e possibilidades de futuro.”
Arte, cidade e memória
A nova exposição também dá continuidade à relação de Xadalu com o Instituto Caldeira. Em 2025, a fachada do espaço recebeu o mural “Tatá Nhane Mbojave Joe - O fogo nos reuniu outra vez”, inspirado na cosmologia Guarani Mbya.
A obra transformou a antiga arquitetura industrial em um espaço de encontro entre arte, memória, identidade e pertencimento. Agora, com “Tatá Rupa”, essa relação chega ao interior da nova galeria, aprofundando o diálogo entre ancestralidade, cidade, cultura e inovação.
Os dois trabalhos integram o projeto Horizontes Urbanos, iniciativa do Instituto Caldeira voltada à transformação do 4º Distrito e à criação de novos diálogos entre arte, cidade, cultura e inovação.
Fundação Bienal do Mercosul
Há 30 anos, a Fundação Bienal do Mercosul atua na promoção da arte contemporânea e na ampliação do acesso à cultura, tendo a formação e a educação por meio da arte como pilares de sua trajetória. Responsável pela realização de 14 edições da Bienal do Mercosul, a instituição já alcançou mais de 8 milhões de visitantes e desenvolveu programas de mediação, formação de professores e mediadores e ações educativas.
Em 2026, a Fundação inicia um novo ciclo de atuação, ampliando sua presença para além das mostras bienais e consolidando uma agenda permanente de projetos culturais, educativos e de impacto social.
Instituto Caldeira
O Instituto Caldeira é uma instituição privada, sem fins lucrativos, dedicada ao fomento à inovação, aos negócios e à educação como motores do desenvolvimento econômico e social.
Nascido em Porto Alegre e conectado às principais redes globais, reúne empresas, startups, universidades, poder público e sociedade civil, transformando conexões em iniciativas voltadas ao desenvolvimento e à inovação.
Galeria Ecarta
A Galeria Ecarta é um dos principais projetos da Fundação Ecarta, que completa 21 anos de atuação. O espaço dispõe de quatro ambientes expositivos dedicados a diferentes linguagens das artes visuais e realiza mais de 12 exposições por ano, reunindo artistas jovens e consagrados.
Ao longo de duas décadas, foram realizadas mais de 150 exposições, com a participação de 740 artistas e 126 curadores, além de mais de 34 mil visitantes. Os artistas recebem suporte para montagem, assessoria de imprensa e segurança das obras durante o período das exposições.
SERVIÇO
Tatá Rupa – Fogo de Pátio, de Xadalu Tupã Jekupé
Abertura: 21 de setembro, às 18h
Talk “Inovar a história: tecnologia, memória e outros modos de produzir conhecimento”: 21 de setembro, às 17h
Local: Espaço Bienal, Prédio Guahyba do Instituto Caldeira
Endereço: Tv. São José, 455 – Navegantes, Porto Alegre/RS
Visitação: gratuita
Período: até janeiro de 2027
Apresentação: Instituto Caldeira, Fundação Bienal do Mercosul e Ministério da Cultura
Parceria institucional: Galeria Ecarta
Patrocínio: TMSA
Apoio: Appmax, Box Print e Unifértil
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