Nesta quarta-feira (7), a Capela Sistina voltou a ser palco de um dos momentos mais solenes e enigmáticos da Igreja Católica: o início do conclave para a eleição do novo papa. Em meio ao vermelho e branco das vestes tradicionais dos cardeais, três figuras destoaram visualmente: estavam de batina preta. A cena, amplamente repercutida nas redes sociais, levantou curiosidade e especulações. Mas há uma explicação histórica e teológica para isso.
Os clérigos que vestem preto pertencem às Igrejas Católicas Orientais, também conhecidas como Igrejas de Rito Oriental. Essas comunidades, embora em plena comunhão com Roma e com o papa, seguem liturgias, espiritualidades e tradições próprias, muitas delas anteriores à própria formação da Igreja Católica Romana como a conhecemos.
Entre os ritos orientais mais conhecidos estão o bizantino, copta, sírio, armênio, caldeu e maronita. Cada uma dessas tradições tem autonomia para preservar suas expressões culturais e religiosas, inclusive na forma de se vestir.
A batina preta, usada por esses três cardeais, é parte dessas tradições específicas. Diferentemente do vermelho, símbolo do sangue dos mártires e da disposição dos cardeais latinos em dar a vida pela fé, a batina preta reflete o estilo monástico e austero de muitos desses ritos orientais.
Ainda que visualmente distintos, esses cardeais têm os mesmos direitos e deveres no conclave, incluindo o voto que definirá o novo líder da Igreja. Sua presença é um lembrete vívido da diversidade e unidade que coexistem dentro do catolicismo global.
O conclave de 2025, além de marcar a transição de liderança espiritual, também reforça a necessidade de compreensão das múltiplas expressões da fé católica — que vai muito além do Vaticano.
