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Domingo, 27 de Setembro 2026
Sustentabilidade

Crianças respiram ar 5 vezes mais poluído que adultos e ninguém mede

Evento de alto nível na ONU revela o escândalo silencioso: enquanto a sociedade fiscaliza parques, comida e água, o ar que as crianças respiram dentro das escolas segue sem monitoramento na maioria dos países.

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
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A Organização das Nações Unidas foi palco, nesta quinta-feira (24/09), de um alerta que deveria estar na primeira página de todos os jornais: o ar dentro das salas de aula pode ser até cinco vezes mais poluído do que o ar externo e, mesmo assim, permanece “não medido e insuficientemente protegido” na maior parte do mundo. A denúncia veio da Dra. Bronwen King, ex-oncologista e cofundadora do Air Club, durante o evento “Ar Interior Saudável nas Escolas: Cada Respiração Molda o Aprendizado”. O dado é estarrecedor: uma criança bebe cerca de 2 litros de água por dia e ninguém aceitaria água suja, mas respira 11 mil litros de ar sem que ninguém garanta sua qualidade. “Uma escola seria fechada se desse água suja às crianças. Vá entender”, provocou o deputado britânico Barry Gardner.

O caso mais chocante foi trazido pelo Parlamento do Reino Unido: Ella, de apenas 9 anos, morreu de asma grave após um episódio em fevereiro, e o inquérito do legista citou, pela primeira vez na história, a exposição à poluição do ar como causa contributiva da morte. Ella respirava níveis de dióxido de nitrogênio e material particulado acima das diretrizes da Organização Mundial da Saúde. Enquanto isso, o parlamentar escancarou a hipocrisia dos governos: no Reino Unido, 200 mortes por ano por crimes com faca geram indignação e leis; 2 mil mortes em acidentes de trânsito geram leis; mas 30 mil pessoas por ano têm a vida encurtada pela poluição do ar e nenhuma lei muda isso. “Quão tolos devemos ser nós, políticos, para desperdiçar nosso jovem talento dessa maneira?”, questionou.

A ciência já provou o estrago silencioso. Uma meta-análise de 2024, citada pelo diretor do Fundo Inspired Air, David Carroll, associou a exposição a partículas finas a um declínio no QI das crianças, além de asma, múltiplos tipos de câncer e até demência. Estudos na China e em Israel mostram pior desempenho em provas em dias poluídos, e ensaios na Itália e na Inglaterra revelam que filtrar o ar das salas de aula melhora a frequência escolar. O golpe mais irônico veio do próprio setor de tecnologia: enquanto os data centers filtram meticulosamente o ar para proteger chips de computador e alimentar a inteligência artificial, as turbinas a gás e motores a diesel que os energizam degradam o ar que as crianças respiram nas escolas vizinhas. “Estamos trocando inteligência humana por inteligência artificial”, denunciou Carroll.

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Apesar da gravidade, os números mostram um movimento ainda incipiente e desigual. O banco de dados global de políticas de qualidade do ar interior, lançado no evento, cataloga 253 políticas em 53 países, 42% delas criadas desde 2020, mas revela que apenas 8 países têm um líder governamental claro para o tema e só 25 políticas são voltadas à educação. O evento terminou com a assinatura do Compromisso Global pelo Ar Interior Saudável, que agora reúne 315 organizações de 57 países, com Essuatíni tornando-se a terceira nação a aderir. Para os líderes, o ar limpo não é luxo: é infraestrutura essencial para o aprendizado, e os 1,4 bilhão de crianças do mundo merecem respirar ar saudável.

“Quando a saúde é adiada, a saúde é negada”, resumiu Rachel Hodgdon, do IWBI. A pergunta que fica é: quanto tempo mais vamos esperar?

O Brasil entra na luta: Pacto Rio-grandense pela Descarbonização da Saúde

Enquanto a ONU reunia a comunidade internacional, o Brasil já dava seu próprio passo histórico. Em Porto Alegre, em 13 de agosto de 2026, foi lançado o Pacto Rio-grandense pela Descarbonização da Saúde, um movimento inédito que coloca o Rio Grande do Sul na vanguarda dessa agenda no país. O documento parte da mesma constatação apresentada em Nova York: passamos 90% do nosso tempo em ambientes internos, e os poluentes que ali se acumulam por emissão excessiva ou ventilação insuficiente frequentemente atingem concentrações muito superiores às do ar externo, afetando de forma silenciosa a saúde de idosos, gestantes, portadores de doenças crônicas e, sobretudo, das crianças. O pacto propõe a elaboração de uma tabela de produtos, equipamentos e fontes emissoras, contemplando a medição e um inventário que ecoa, na prática, os gases e poluentes que a ONU pede que os países monitorem nas escolas.

O movimento gaúcho não se limita ao diagnóstico. O pacto propõe uma estratégia progressiva de troca, substituição e modernização tecnológica, priorizando soluções mais limpas, eletrificação eficiente e energias renováveis, com relatórios públicos das emissões mitigadas e metas futuras. Defende ainda o desenvolvimento de uma metodologia padronizada de medição, monitoramento e inventário dos poluentes internos, com avaliação periódica e comparação com referências nacionais e internacionais, permitindo estabelecer limites para áreas laborais, parâmetros de qualidade do ar interior e a caracterização de insalubridade, nocividade ocupacional ou risco à saúde pública. E vai além: estimula pesquisas sobre purificadores de ar de eficácia comprovada, substâncias neutralizadoras de poluentes e os mecanismos de agressão desses gases ao organismo humano, mirando diretamente o aparelho respiratório, o cardiovascular e o sistema nervoso central.

À frente do pacto estão nomes de peso da medicina e da ciência gaúcha: o Dr. Adm. Alexandre de Souza Tavares, PhD em Transição Energética e Gestão da Informação e Diretor de PD&I do Instituto Safeweb (membro do BioHub Tecnopuc), o Dr. Luiz Carlos Bodanese (cardiologista), o Dr. Jefferson Pedro Piva (pediatra) e o Dr. Airton Tettelbom Stein (epidemiologista). O movimento reúne apoio estratégico e institucional de peso, incluindo a Sociedade de Pediatria do RS, a Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do RS, a Sociedade Gaúcha de Medicina do Trabalho, o Conselho Regional de Medicina (CREMERS), a Associação Médica do RS (AMRIGS) e o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), somando, junto a outras associações e entidades do estado, dezenas de sindicatos unidos em torno de uma única causa. Com isso, o Rio Grande do Sul está focado no ar que respiramos dentro de casa, das escolas e dos hospitais, que deixa de ser um tema invisível para se tornar uma prioridade de saúde pública, e o Brasil, pela primeira vez, tem um pacto institucional para liderar essa transformação. Nosso próximo passo é integrar esta comissão da ONU e representar o Rio Grande do Sul nesta jornada de proteger nosso bem, o AR que respiramos.

Assista a apresentação da Dra. Bronwen King no Healthy Indoor Air in Schools Every Breath Shapes Learning (24/09/2026) na ONU.
https://youtu.be/HyFhOUH9EWw?is=eBfBqTN1XTR067Jk

FONTE/CRÉDITOS: Marcos Medeiros / Assessor de Imprensa Instituto SafeWeb / Membro Biohub Tecnopuc / Editor-Chefe | IMOB BUSINESS / Rede Regional de Notìcias

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Jornalista e assessor de comunicação, com atuação em produção de conteúdo informativo, institucional e sindical. Desenvolve reportagens e projetos estratégicos com foco em credibilidade, transparência e responsabilidade social.

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