A Federação dos Municipários do Estado do Rio Grande do Sul (FEMERGS) formalizou apoio irrestrito ao Pacto Rio-grandense pela Descarbonização da Saúde por meio de um documento que coloca a proteção da vida e a segurança no serviço público no centro do debate. A manifestação parte do princípio de que saúde ocupacional e saúde ambiental são indissociáveis e sustenta que a qualidade do atendimento prestado à população depende, antes, da existência de ambientes sustentáveis e salubres para os servidores que atuam diariamente na linha de frente.
O posicionamento amplia a relevância institucional do Pacto ao aproximar a agenda ambiental da realidade concreta dos municípios. No documento, a FEMERGS chama atenção para o “adoecimento silencioso” associado a prédios com infraestrutura precária, ventilação insuficiente e ausência de sistemas modernos de exaustão. A Federação cita situações enfrentadas em cozinhas escolares, hospitais, unidades de saúde, salas administrativas e áreas de obras, onde a exposição a fumaça, gases, patógenos e ar estagnado pode representar ameaça contínua à saúde física e mental das equipes.
Ao apoiar o Pacto, a entidade defende uma mudança de perspectiva: reduzir a concentração de esforços no tratamento do trabalhador já adoecido e fortalecer a prevenção. Para que esse compromisso produza efeitos práticos, o texto considera urgente criar protocolos contínuos de medição e monitoramento da qualidade do ar. Dados científicos e objetivos, segundo a manifestação, permitirão aos sindicatos mapear as condições reais dos prédios públicos, identificar irregularidades e inserir a descarbonização nas mesas de negociação e nas campanhas salariais.
Outro ponto estratégico do documento é a defesa do fomento à pesquisa e da realização de fóruns de debate orientados pelo rigor científico. A FEMERGS sustenta que estudos, estatísticas e evidências são essenciais para dimensionar os impactos da má qualidade do ar e da precariedade estrutural sobre a vida e a produtividade dos trabalhadores. Esse conhecimento, conforme o posicionamento, oferece respaldo para exigir políticas públicas efetivas e impedir que argumentos administrativos de redução de despesas ocultem a necessidade de investir na proteção de quem mantém os serviços municipais em funcionamento.
A manifestação encerra com uma cobrança direta ao poder público: “O Estado que cobra cuidados aos trabalhadores brasileiros deve liderar este cuidado pelo exemplo nos entes federativos”. Para a FEMERGS, investir em ventilação, modernização e descarbonização não é gasto, mas respeito à legislação, economia de longo prazo para o sistema de saúde e valorização da vida humana. Ao declarar que permanecerá vigilante e mobilizada, a Federação confere ao apoio um sentido de continuidade: transformar as diretrizes do Pacto em instrumentos de defesa da saúde dos servidores e dos cidadãos.

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