Em uma das falas mais impactantes do South Summit Brazil 2025, realizado em Porto Alegre, o engenheiro e empreendedor Orkut Büyükkökten — criador da icônica rede social que leva seu nome — fez duras críticas às plataformas digitais contemporâneas. Na palestra intitulada "A Ascensão e Queda das Redes Sociais", ele refletiu sobre o desvio do propósito original das redes, que, segundo ele, deveriam servir para aproximar pessoas de forma genuína e significativa.
"Hoje, a internet está cheia de interações que parecem humanas, mas não são", afirmou. Para Orkut, o problema começou com a introdução de mecanismos como curtidas, retuítes e seguidores, que transformaram a atenção em moeda de troca. "As redes sociais atuais foram sequestradas por algoritmos que priorizam engajamento, popularidade e lucro, em detrimento da autenticidade", criticou.
O desenvolvedor apontou que essa lógica de funcionamento alimenta uma cultura de ilusão e performance, onde os usuários são levados a construir versões idealizadas de si mesmos. O resultado, segundo ele, é o aumento da solidão, da ansiedade e da polarização social. "Criamos espaços onde o valor de uma pessoa é medido por métricas, não por suas conexões reais", lamentou.
Orkut também destacou o papel das redes na disseminação de desinformação, impulsionada por algoritmos que favorecem conteúdos extremistas ou sensacionalistas. Para ele, o modelo atual está esgotado e precisa ser repensado com urgência.
Apesar do tom crítico, a fala do engenheiro turco-brasileiro também trouxe uma mensagem de esperança. Orkut defendeu a criação de novas plataformas baseadas em empatia, compaixão e responsabilidade social. Ele acredita que a inteligência artificial pode ser usada de forma ética para moderar conteúdos e fortalecer comunidades mais saudáveis. "Precisamos redesenhar a internet para servir às pessoas — não o contrário", concluiu.
A fala de Orkut arrancou aplausos da plateia e acendeu o debate sobre os rumos da convivência digital no século XXI. Mais do que nostalgia, sua presença reforçou a urgência de reconectar a tecnologia com valores humanos.
