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Domingo, 27 de Setembro 2026
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Rio Grande do Sul envelheceu mais rápido do que conseguiu se preparar, apontam especialistas

Fórum de Longevidade reúne gestores, médicos e especialistas para discutir os impactos do envelhecimento em saúde, moradia, cidades e qualidade de vida

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
Rio Grande do Sul envelheceu mais rápido do que conseguiu se preparar, apontam especialistas
Da esq. p/ dir.: geriatra Virgílio Olsen, Henri Chazan, presidente do Sindihospa, Marcos Cunha, da Moderna Idade e Luciano Zuffo, sócio-fundador do São Pietro Sênior.
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O Rio Grande do Sul já é o Estado mais envelhecido do Brasil. Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 20,2% da população gaúcha tem 60 anos ou mais — o equivalente a cerca de 2,19 milhões de pessoas, a maior proporção do país. Além disso, a população dessa faixa etária já supera a de crianças de até 14 anos.

Como preparar cidades, serviços e modelos de cuidado para essa nova realidade foi a questão central do 1º Fórum de Longevidade, realizado durante a Health Meeting Brasil, em Porto Alegre. O encontro reuniu gestores públicos, profissionais da saúde, especialistas em envelhecimento e arquitetos para discutir os impactos dessa transformação demográfica.

Ao longo do evento, os participantes convergiram em um ponto: a sociedade conquistou mais anos de vida. Agora, precisa criar condições para que as pessoas envelheçam com autonomia, saúde, qualidade de vida e participação social. E essa preparação começa muito antes da velhice.

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Na avaliação do geriatra Virgílio Olsen, as oportunidades de envelhecer bem são influenciadas por fatores como renda, escolaridade, moradia, segurança e acesso a serviços ao longo da vida. “A idade cronológica é apenas um número; ela informa algo, mas não conta a história inteira. A longevidade é individual, mas as condições para vivê-la são coletivas”, afirmou.

A velocidade dessa mudança foi destacada pelo secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter. Segundo ele, a capital passou de 128 mil moradores com mais de 60 anos em 1991 para 211 mil em 2010 e chegou a 319 mil em 2023. Hoje, esse grupo representa mais de 20% da população da cidade e cerca de 5% dos moradores têm mais de 80 anos. "Estamos passando em três décadas por uma transformação demográfica que muitos países europeus levaram um século para vivenciar", observou.

Os impactos dessa mudança também chegam ao planejamento urbano. Mobilidade, acessibilidade, habitação e acesso facilitado ao comércio e aos serviços do cotidiano passaram a ocupar espaço central no debate. O arquiteto Ronaldo Rezende defendeu ambientes urbanos capazes de proporcionar autonomia no dia a dia, sem grandes deslocamentos. “Cidades inteligentes precisam garantir caminhabilidade e convivência”, afirmou.

*O desafio da conexão social*
Se viver mais deixou de ser exceção, outro desafio ganha protagonismo: evitar que o avanço da idade venha acompanhado de isolamento. “Quando falamos em envelhecimento, a primeira associação que aparece é com a doença. Enxergamos a pessoa idosa como alguém doente e não como alguém que quer continuar vivendo. Precisamos quebrar esse paradigma”, afirmou Luciano Zuffo, sócio-fundador do São Pietro Sênior.

A preocupação também aparece em estudos recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam a solidão e o isolamento social como desafios crescentes para a saúde e o bem-estar da população. Entre as recomendações da entidade está a criação de ambientes que favoreçam a interação social.

“Precisamos de espaços onde as pessoas convivam, movimentem-se e continuem participando da vida em comunidade. O convívio social é um dos fatores mais importantes para a qualidade de vida ao longo do envelhecimento”, ressaltou Zuffo.

Entre as propostas apresentadas durante o encontro esteve a criação de um Comitê Estadual da Longevidade, reunindo representantes do poder público, especialistas e entidades da sociedade civil. O consenso entre os participantes foi que a mudança demográfica já está em curso e exige planejamento em diferentes áreas, da saúde à habitação, passando por mobilidade, inclusão e convivência social.

FONTE/CRÉDITOS: Marcos Medeiros / Jornalista Rede REgional de Portais/ Jornalista Cleu Schlee

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Jornalista e assessor de comunicação, com atuação em produção de conteúdo informativo, institucional e sindical. Desenvolve reportagens e projetos estratégicos com foco em credibilidade, transparência e responsabilidade social.

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