A presidente da Federação dos Municipários do Estado do Rio Grande do Sul (FEMERGS), Clarice Mainardi, apresentou uma defesa firme da adesão da entidade ao Pacto Rio-grandense pela Descarbonização da Saúde. Em entrevista à Assessoria Safeweb, ela afirmou que a proteção da vida, das condições de trabalho e do ambiente integra uma mesma responsabilidade institucional. Para a dirigente, o apoio ao Pacto é “um passo natural e necessário”, porque a crise climática e a poluição atmosférica atingem diretamente os servidores municipais que estão na linha de frente do atendimento à população.
Ao dimensionar a importância da iniciativa, Clarice deslocou o debate do tratamento para a prevenção. Ela lembrou que servidores passam grande parte da vida profissional em repartições, escolas e unidades de saúde, onde a qualidade do ar pode interferir na ocorrência de doenças respiratórias, cardiovasculares e alérgicas, no adoecimento e no absenteísmo. Em sua avaliação, discutir descarbonização significa também enfrentar a segurança estrutural dos locais de trabalho e reconhecer que não há serviço público de qualidade sem condições sustentáveis e salubres para quem o executa.
A entrevista ganhou especial força ao abordar o que a presidente classificou como “adoecimento silencioso”. Clarice apontou a infraestrutura precária de prédios públicos que não contam com ventilação adequada, exaustão ou climatização moderna. Citou servidores de cozinhas escolares expostos a fumaça e gases, trabalhadores da saúde em ambientes fechados com presença de patógenos e equipes administrativas submetidas ao ar estagnado e ao acúmulo de poluentes internos. Segundo ela, a falta de renovação do ar constitui uma ameaça constante à saúde física e mental desses profissionais.
Diante desse cenário, a FEMERGS considera urgente criar protocolos de medição e monitoramento contínuo nas repartições. “Sem dados, não há política pública efetiva”, declarou Clarice. A presidente observou que a insalubridade do ar ainda pode ser tratada como uma queixa subjetiva, enquanto indicadores objetivos e científicos permitem identificar riscos, cobrar providências preventivas dos gestores e acompanhar o cumprimento das normas de segurança do trabalho. A proposta, conforme sua manifestação, é agir antes que o servidor adoeça e o problema se torne visível apenas por suas consequências.
Clarice também atribuiu aos sindicatos municipais a tarefa de mapear as condições dos prédios, denunciar irregularidades, incorporar as diretrizes do Pacto às reivindicações e mobilizar os trabalhadores. Ao final, dirigiu uma mensagem direta a prefeitos e gestores: “A administração pública precisa liderar pelo exemplo”. Para a presidente da FEMERGS, investir em descarbonização, ventilação e modernização não é gasto, mas respeito à legislação, valorização da vida humana e economia de longo prazo em saúde pública. Sua síntese reforça o centro político-institucional da entrevista: o servidor não pode pagar com a própria saúde pelo déficit de infraestrutura dos municípios.

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