A coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 13 de agosto, em Porto Alegre, mostrou que a discussão sobre poluentes atmosféricos internos ultrapassa fronteiras entre especialidades. Na sede do SIMERS, o lançamento do Pacto Rio-grandense pela Descarbonização da Saúde reuniu profissionais da cardiologia, pediatria, epidemiologia, pneumologia, medicina do trabalho e transição energética, ao lado de entidades médicas e instituições ligadas à inovação. A composição do encontro deu dimensão ao desafio: compreender a qualidade do ar de ambientes fechados exige olhar simultaneamente para saúde humana, fontes de emissão, ventilação, tecnologia e gestão.
O núcleo técnico apresentado no pacto inclui o cardiologista Dr. Luiz Carlos Bodanese, Alexandre Tavares, PhD em transição energética e gestão da informação, o pediatra Dr. Jefferson Piva e o epidemiologista Dr. Airton Stein. A lista de participantes e apoiadores também reúne a Dra. Valerie Noronha Menezes Kreutz, a Dra. Maria Dolores Bressan, vinculada ao SIMERS, o Dr. Cristiano Perin, da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio Grande do Sul, o Dr. Marcelo Porto, da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, o Dr. Fabio Dantas Filho, da Sociedade Gaúcha de Medicina do Trabalho, além do presidente do SIMERS, Dr. Marcelo Marsillac Matias, e da AMRIGS. O conjunto representa uma articulação técnica e institucional com capacidade de ampliar o alcance do tema.
O pacto destaca que a exposição pode ocorrer em residências, locais de trabalho e espaços coletivos onde fontes como fogões, fornos, aquecedores, chuveiros, caldeiras e sistemas de cocção podem contribuir para emissões, especialmente quando há ventilação insuficiente. Também reconhece a entrada de gases e partículas provenientes do ambiente externo. Em vez de tratar o problema apenas depois do surgimento de sintomas ou danos, a proposta coloca a prevenção no início do processo: identificar fontes, medir concentrações, acompanhar a exposição e comunicar riscos de forma compreensível para gestores e população.
A abordagem multidisciplinar apresentada na coletiva ganha importância porque os efeitos potenciais não se limitam a um único órgão ou sistema. O documento técnico chama atenção para impactos principalmente respiratórios, cardiovasculares e sobre o sistema nervoso central, com maior vulnerabilidade entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Nesse contexto, o diálogo entre especialistas ajuda a transformar evidências em critérios de acompanhamento, protocolos de avaliação e medidas de mitigação capazes de alcançar escolas, hospitais, empresas, restaurantes, supermercados, órgãos públicos e outros ambientes de permanência prolongada.
A principal força editorial do encontro está na convergência: saúde e sustentabilidade aparecem como partes do mesmo problema e, portanto, da mesma solução. A proposta de criar metodologia padronizada de monitoramento, relatórios técnicos, recomendações corretivas e estratégias de substituição tecnológica indica uma agenda de longo prazo, baseada em conhecimento e acompanhamento permanente. O II Fórum Nacional de Educação Energética, marcado para 26 e 27 de agosto, dará continuidade a essa articulação e deverá ampliar a discussão sobre como ciência, gestão e inovação podem reduzir exposições e apoiar ambientes internos mais seguros.

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