As eleições do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem, Técnicos, Duchistas, Massagistas e Empregados em Hospitais e Casas de Saúde do Rio Grande do Sul (SINDISAÚDE-RS) se transformaram em palco de uma crise sem precedentes. Três dirigentes da Chapa 1 – “Independência e Luta”, incluindo o atual presidente da entidade, tiveram suas candidaturas alvo de pedidos formais de impugnação.
O primeiro caso envolve Arlindo Nelson Ritter, candidato a Diretor de Saúde do Trabalhador, investigado por suposto assédio durante atividade sindical em Porto Alegre. Testemunhas afirmaram à Polícia Civil que ele teria exibido a genitália a uma colega da Chapa 3, episódio que motivou abertura de inquérito e contestação de sua candidatura.
Já o 3º suplente da chapa, Edair José Padilha, responde a medida protetiva de 180 dias concedida à sua ex-companheira pela Justiça, em processo de violência doméstica. O episódio gerou questionamentos sobre sua permanência em uma chapa que representa uma categoria formada majoritariamente por mulheres.
Por fim, o atual presidente do sindicato, Júlio Cesar Jesien, hoje candidato a 2º suplente, teve as contas eleitorais de 2024 rejeitadas pela Justiça Eleitoral, por uso irregular de verbas públicas. A decisão determinou a devolução de valores ao erário, fato que, segundo o Estatuto do SINDISAÚDE, compromete sua elegibilidade.
O Estatuto da entidade prevê a suspensão ou exclusão de associados que atentem contra a moral, pratiquem atos de violência ou tenham contas rejeitadas em gestões anteriores. Com base nisso, associados apresentaram pedidos formais para que a Comissão Eleitoral do sindicato indefira as candidaturas.
A disputa no SINDISAÚDE-RS, que já vinha polarizada, agora vive dias de instabilidade. Se confirmadas as impugnações, a Chapa 1 poderá sofrer baixas significativas, reconfigurando o cenário eleitoral e abrindo espaço para uma mudança profunda no comando da entidade.
Analistas ouvidos pela reportagem avaliam que o desfecho pode se tornar um divisor de águas no movimento sindical da saúde. “Mais do que uma eleição, trata-se de um teste sobre a ética e a credibilidade das representações sindicais”, resume a jurista trabalhista Ana Paula Ferreira.

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