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Domingo, 18 de Janeiro de 2026

MOVIMENTO SINDICAL

“Vergonha e Coragem: Dirigente sindical rompe o silêncio sobre assédio sexual no Sindisaúde”

Maria Luíza, dirigente sindical e mulher negra, denuncia assédio sexual cometido por colega de direção. Caso expõe contradições e cultura de silêncio em entidade que deveria proteger trabalhadores da saúde.

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
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O silêncio de Maria Luíza durou pouco mais de sete meses. Dirigente sindical do Sindisaúde RS há mais de uma década, mulher negra, respeitada por sua postura firme e por anos de defesa dos trabalhadores, ela decidiu tornar pública uma experiência traumática que, segundo relata, abalou profundamente sua vida pessoal e profissional.

O episódio teria ocorrido na sala da diretoria executiva do sindicato, dia 17 de janeiro — espaço restrito, onde apenas quatro pessoas têm acesso. Ali, em meio a conversas sobre fotografias de colegas para uma festa, Maria Luíza afirma que um diretor de patrimônio, também ex-presidente do sindicato e atual tesoureiro, se aproximou dela e, de forma inesperada, baixou as calças, expondo-se.

“Eu fiquei apavorada, nunca dei essa intimidade. Morri de vergonha”, conta. “Sempre me defendi, mas estava num lugar que deveria defender todos os trabalhadores. Foi a coisa mais triste.”

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A denúncia não expõe apenas um ato isolado, mas, segundo Maria Luíza e seu marido, Gilmar França, revela um padrão de comportamento. O  acusado ocupada o cargo de tesoureiro no SINDISAUDE RS  e  preside a ASERGHC  ,associação ligada ao Grupo Hospitalar Conceição. França  ainda afirma  que ele já teria se envolvido em situações semelhantes com outras mulheres — que optaram pelo silêncio.

“Esse tipo de pessoa é reincidente. Já fez com outras colegas, mas elas nunca quiseram falar. É revoltante isso partir de quem representa uma categoria formada, em 85%, por mulheres”, afirma Maria Luíza.

O caso, que inicialmente parecia fadado ao arquivamento, foi reaberto após sua última tentativa junto ao Ministério Público. Testemunhas confirmaram a versão dela.

Maria Luíza reconhece que pensou em desistir, mas decidiu transformar sua experiência em alerta:

“Não desistam. Falem. Mesmo que pareça não adiantar. Racismo, assédio, humilhações… não podemos deixar passar.”

A denúncia expõe contradições profundas no movimento sindical: como uma instituição formada majoritariamente por mulheres pode permitir que lideranças se envolvam em práticas de violência contra suas próprias colegas?

Agora, Maria Luíza segue buscando justiça — e cobrando que o sindicato, a categoria e a sociedade transformem espaços de luta em ambientes realmente seguros para todas as trabalhadoras.

FONTE/CRÉDITOS: Por Marcos Medeiros - Redação PN
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