O silêncio de Maria Luíza durou pouco mais de sete meses. Dirigente sindical do Sindisaúde RS há mais de uma década, mulher negra, respeitada por sua postura firme e por anos de defesa dos trabalhadores, ela decidiu tornar pública uma experiência traumática que, segundo relata, abalou profundamente sua vida pessoal e profissional.
O episódio teria ocorrido na sala da diretoria executiva do sindicato, dia 17 de janeiro — espaço restrito, onde apenas quatro pessoas têm acesso. Ali, em meio a conversas sobre fotografias de colegas para uma festa, Maria Luíza afirma que um diretor de patrimônio, também ex-presidente do sindicato e atual tesoureiro, se aproximou dela e, de forma inesperada, baixou as calças, expondo-se.
“Eu fiquei apavorada, nunca dei essa intimidade. Morri de vergonha”, conta. “Sempre me defendi, mas estava num lugar que deveria defender todos os trabalhadores. Foi a coisa mais triste.”
A denúncia não expõe apenas um ato isolado, mas, segundo Maria Luíza e seu marido, Gilmar França, revela um padrão de comportamento. O acusado ocupada o cargo de tesoureiro no SINDISAUDE RS e preside a ASERGHC ,associação ligada ao Grupo Hospitalar Conceição. França ainda afirma que ele já teria se envolvido em situações semelhantes com outras mulheres — que optaram pelo silêncio.
“Esse tipo de pessoa é reincidente. Já fez com outras colegas, mas elas nunca quiseram falar. É revoltante isso partir de quem representa uma categoria formada, em 85%, por mulheres”, afirma Maria Luíza.
O caso, que inicialmente parecia fadado ao arquivamento, foi reaberto após sua última tentativa junto ao Ministério Público. Testemunhas confirmaram a versão dela.
Maria Luíza reconhece que pensou em desistir, mas decidiu transformar sua experiência em alerta:
“Não desistam. Falem. Mesmo que pareça não adiantar. Racismo, assédio, humilhações… não podemos deixar passar.”
A denúncia expõe contradições profundas no movimento sindical: como uma instituição formada majoritariamente por mulheres pode permitir que lideranças se envolvam em práticas de violência contra suas próprias colegas?
Agora, Maria Luíza segue buscando justiça — e cobrando que o sindicato, a categoria e a sociedade transformem espaços de luta em ambientes realmente seguros para todas as trabalhadoras.

Comentários: