POANEWS

Terça-feira, 21 de Abril de 2026

MOVIMENTO SINDICAL

O Sindicato a Serviço do Partido: Organograma Denuncia Esquema de Poder e Financiamento Político no SINDISAÚDE-RS

Documento apócrifo detalha como recursos da categoria e verbas públicas seriam usados para impulsionar mandatos do PSOL, comprometendo a independência sindical e a representação dos trabalhadores da saúde.

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A Engrenagem do Poder: Como Funciona o Esquema

Um organograma anônimo, que circula nos bastidores do movimento sindical gaúcho, traz à tona suspeitas de um complexo esquema de atrelamento político no Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Rio Grande do Sul (SINDISAÚDE-RS).

O documento sugere que a entidade teria perdido sua autonomia em prol de um projeto político-partidário ligado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). As fronteiras entre sindicato, mandatos parlamentares e partido aparecem borradas, indicando que recursos da categoria e verbas públicas estariam sendo direcionados para a sustentação eleitoral de lideranças políticas.

No centro do esquema aparece Etevaldo Souza Teixeira, apontado como peça-chave da engrenagem. Oficialmente, Etevaldo exerce o cargo de assessor parlamentar da deputada estadual Luciana Genro (PSOL), com dedicação exclusiva de 40 horas semanais. Contudo, o organograma indica que ele atua paralelamente como administrador financeiro do SINDISAÚDE-RS, interferindo diretamente em decisões estratégicas do sindicato.

Publicidade

Leia Também:

Além disso, Etevaldo figura como representante da Chapa 1, a chapa da situação. Embora não ocupe a presidência do sindicato, exerce tamanha influência na Comissão Eleitoral que, segundo denúncias, as decisões colegiadas acabam sendo anuladas em função de sua vontade. Na prática, isso transformaria o processo eleitoral em um instrumento de manutenção do grupo no poder, reduzindo a comissão a um espaço meramente formal.

“Com ele, não é a categoria que decide, mas o partido e o mandato que representa”, diz um dos trechos do documento.

O Duto Financeiro: Dois Caminhos, Um Destino

O organograma destaca dois principais fluxos de recursos:

  1. Mensalidades e contribuições dos trabalhadores da saúde — administradas pelo tesoureiro Arlindo Nelson Ritter e pelo contador Matheus Giacomoni de Oliveira.

  2. Valores provenientes de ações judiciais coletivas — que, segundo o documento, estariam sendo “manipulados por Júlio”, em referência a Júlio Jesien, atual presidente do sindicato e suplente de vereador pelo PSOL.

A denúncia aponta que Júlio, que já teve contas de campanha reprovadas pela Justiça Eleitoral, repetiria no sindicato práticas irregulares de gestão financeira, comprometendo a credibilidade da entidade.

Ambos os fluxos, afirma o organograma, convergiriam para um mesmo objetivo: financiar campanhas eleitorais do PSOL.

O documento é explícito: “Etevaldo e Matheus foram os responsáveis financeiros pelas campanhas de Júlio, Luciana e Robaina”. Neste último caso, a referência é ao vereador Roberto Robaina (PSOL).


Os Pontos Mais Preocupantes: Impactos na Democracia e na Categoria

A análise do esquema sugere um cenário de captura institucional e de uso político do sindicato.

  1. Captura da Representação Sindical
    O SINDISAÚDE-RS deixaria de ser instrumento de defesa dos trabalhadores da saúde para se converter em aparelho partidário. As pautas da categoria ficariam em segundo plano frente às estratégias eleitorais.

  2. Uso Indevido de Recursos Públicos e Privados
    Salários pagos pelo erário, destinados ao exercício parlamentar, seriam empregados em atividades sindicais. Simultaneamente, recursos privados da categoria seriam desviados para bancar campanhas.

  3. Risco à Lisura Eleitoral Sindical
    A influência desproporcional de Etevaldo dentro da Comissão Eleitoral, mesmo sem ser presidente, levanta suspeitas de manipulação no processo de escolha da diretoria, perpetuando o grupo da situação no comando da entidade.

  4. Conflito de Interesses Estrutural
    Um contador que também é operador de campanhas. Um assessor parlamentar que administra as finanças do sindicato. Um dirigente com contas reprovadas controlando processos judiciais. As barreiras éticas e institucionais se dissolvem.

 Um Sindicato a Serviço de um Projeto Partidário?

Se confirmadas as acusações descritas no organograma, o SINDISAÚDE-RS estaria sendo aparelhado em favor de um projeto de poder do PSOL, deixando de lado sua missão essencial: representar e defender os trabalhadores da saúde.

A denúncia expõe um cenário que preocupa tanto pela fragilidade da democracia interna sindical quanto pelo potencial desvio de finalidade de recursos públicos e privados.

Enquanto a categoria aguarda esclarecimentos, a sombra do aparelhamento lança dúvidas sobre a legitimidade da atual direção sindical e sobre o futuro da representação dos trabalhadores da saúde no Rio Grande do Sul.

FONTE/CRÉDITOS: Por Marcos Medeiros / Redação PN
Comentários:
Reporter Medeiros

Publicado por:

Reporter Medeiros

Jornalista e assessor de comunicação, com atuação em produção de conteúdo informativo, institucional e sindical. Desenvolve reportagens e projetos estratégicos com foco em credibilidade, transparência e responsabilidade social.

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )