O inverno convida a hábitos que parecem inofensivos, mas podem comprometer seriamente a saúde da pele e do couro cabeludo. Banhos muito quentes, redução da hidratação, menor consumo de água, diminuição da frequência de lavagem dos cabelos e até o abandono do protetor solar estão entre os principais erros cometidos nesta época do ano. O resultado é o aumento do ressecamento, da sensibilidade, da descamação e das crises de doenças dermatológicas.
Ao mesmo tempo, a estação também representa uma oportunidade para quem deseja investir em tratamentos estéticos e dermatológicos. Com menor incidência de radiação solar, o inverno favorece a recuperação da pele após procedimentos e permite iniciar protocolos cujos resultados costumam aparecer justamente na chegada do verão.
As orientações são da dermatologista Dra. Bárbara Lovato, do dermatologista Dr. Robinson Kaczmarck e da fisioterapeuta e terapeuta capilar Priscila da Costa Mol, especialistas da Cadore Clínica Dermatológica, em Florianópolis. A clínica é dirigida pela Dra. Débora Cadore, referência internacional em medicina capilar e terapias regenerativas, reunindo especialistas em dermatologia clínica, tricologia e tecnologias voltadas à saúde da pele e do couro cabeludo.
Frio favorece crises de doenças de pele
Segundo a dermatologista Dra. Bárbara Lovato, as baixas temperaturas favorecem o agravamento de doenças inflamatórias, especialmente dermatite atópica e rosácea.
"Durante o inverno observamos um aumento significativo das crises, tanto em crianças quanto em adultos. O ressecamento da pele fragiliza sua barreira de proteção e facilita o aparecimento dos sintomas", explica.
Pacientes com doenças autoimunes também exigem atenção especial. Pessoas com lúpus e esclerodermia, por exemplo, podem desenvolver o fenômeno de Raynaud, condição em que o frio reduz temporariamente a circulação nas extremidades, causando dor, dormência e alterações na coloração dos dedos das mãos e dos pés.
O banho quente é um dos maiores vilões
Embora seja um dos maiores prazeres dos dias frios, o banho muito quente remove a camada natural de gordura que protege a pele.
"A água quente retira lipídios e proteínas responsáveis pela proteção da pele. O ideal é optar por água morna, utilizar limpadores suaves, hidratar a pele logo após o banho e, sempre que possível, aquecer o ambiente do banheiro para reduzir a temperatura da água", orienta a médica.
Ela reforça que hidratar a pele não é apenas uma questão estética.
"Uma barreira cutânea saudável protege contra bactérias, fungos, alergias e infecções. Uma pele hidratada é uma pele mais resistente."
Água sozinha não resolve
Outro mito comum é acreditar que beber bastante água substitui o uso de hidratantes.
"A hidratação da pele depende principalmente dos cuidados externos. Não adianta ingerir dois ou três litros de água por dia e continuar tomando banhos muito quentes ou deixar de usar hidratante", alerta a especialista.
A recomendação é manter uma rotina diária de limpeza com produtos adequados para cada tipo de pele e utilizar hidratantes específicos para o rosto e para o corpo.
Protetor solar continua obrigatório
Mesmo com dias mais frios e menos ensolarados, abandonar o protetor solar é um erro.
Segundo o dermatologista Dr. Robinson Kaczmarck, a radiação ultravioleta continua provocando danos cumulativos.
"Não usamos protetor apenas para evitar queimaduras. Ele protege contra envelhecimento precoce, manchas e câncer de pele. Os efeitos da radiação aparecem ao longo dos anos."
Melhor época para cuidar da pele
Se o inverno aumenta os cuidados diários, também oferece as melhores condições para procedimentos dermatológicos.
Tratamentos para melasma, manchas, cicatrizes de acne, rosácea, rejuvenescimento, lesões vasculares e remoção de tatuagens costumam apresentar recuperação mais tranquila devido à menor exposição ao sol.
"Como a produção de colágeno atinge seu pico entre 60 e 90 dias após muitos procedimentos, iniciar os tratamentos no inverno permite chegar ao verão com resultados mais evidentes", destaca o especialista.
O couro cabeludo também sofre
Assim como a pele, o couro cabeludo sente os efeitos das baixas temperaturas.
Segundo a terapeuta capilar Priscila da Costa Mol, o frio favorece o ressecamento, a coceira, a descamação e a sensibilidade.
"Muitas pessoas também passam a lavar menos os cabelos durante o inverno. Isso favorece o acúmulo de oleosidade, resíduos e células mortas, criando um ambiente propício para o agravamento da dermatite seborreica."
Ela esclarece que lavar os cabelos diariamente não faz mal.
"A frequência depende das características de cada couro cabeludo. Quem pratica atividade física ou apresenta maior oleosidade pode, inclusive, se beneficiar da lavagem diária, desde que utilize produtos adequados."
Saúde dos fios começa na saúde do couro cabeludo
Após especialização na Coreia do Sul, Priscila trouxe para o Brasil uma filosofia bastante difundida no país asiático: tratar primeiro a pele onde os fios nascem.
"O couro cabeludo é uma extensão da pele. Quando ele está saudável, cria o ambiente ideal para o crescimento de fios mais fortes e resistentes."
Ela compara o couro cabeludo ao solo de uma planta.
"Não adianta cuidar apenas dos fios. Assim como uma planta precisa de um solo fértil para crescer, os cabelos também dependem de um couro cabeludo equilibrado."
Head Spa une tecnologia, saúde e bem-estar
Entre os protocolos que ganham espaço está o Head Spa, tratamento inspirado nas técnicas coreanas e adaptado pela Cadore Clínica Dermatológica.
Mais do que uma experiência de relaxamento, o procedimento combina avaliação especializada, limpeza profunda do couro cabeludo, massagens terapêuticas, hidroesfoliação, laserterapia de baixa intensidade, hidratação intensiva e aplicação de ativos personalizados.
"O objetivo é restaurar o equilíbrio do couro cabeludo, promovendo um ambiente saudável para o crescimento dos fios e proporcionando benefícios que vão muito além do bem-estar", conclui Priscila.
" Os principais erros no inverno"
Tomar banhos muito quentes e demorados.
Deixar de usar hidratante diariamente.
Acreditar que apenas beber água hidrata a pele.
Abandonar o protetor solar nos dias frios.
Reduzir excessivamente a lavagem dos cabelos.
Utilizar produtos inadequados para o tipo de pele ou couro cabeludo.
Ignorar sinais como coceira intensa, descamação ou feridas, adiando a avaliação com um especialista.
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