Março, mês que amplifica reflexões sobre o papel da mulher na sociedade, também escancara uma das maiores pressões silenciosas da atualidade: a obrigação de dar conta de tudo e ainda com perfeição.
Carreira em ascensão, casa organizada, vida social ativa, autocuidado em dia e desenvolvimento pessoal constante.
Durante anos, esse modelo foi vendido como ideal. Março, mês que amplifica reflexões sobre o papel da mulher na sociedade, também escancara uma das maiores pressões silenciosas da atualidade: a obrigação de dar conta de tudo e ainda com perfeição.
Carreira em ascensão, casa organizada, vida social ativa, autocuidado em dia e desenvolvimento pessoal constante. Durante anos, esse modelo foi vendido como ideal. Hoje, ele começa a ruir.
Para a educadora corporativa e especialista em gestão do tempo, Luciene Scherer, é urgente romper com essa lógica. “A gestão do tempo não é sobre fazer tudo. É sobre fazer escolhas conscientes. Quando tentamos sustentar o ideal da perfeição, entramos em um ciclo de frustração e culpa”, afirma.
A chamada “síndrome da mulher maravilha” ainda é alimentada socialmente, ignorando uma realidade concreta: as mulheres seguem acumulando múltiplas jornadas. Dados da PNAD Contínua (IBGE) revelam que elas dedicam, em média, 21,3 horas semanais às tarefas domésticas e de cuidado quase o dobro do tempo dos homens.
Nesse cenário, a produtividade feminina acontece longe do ideal romantizado. Ela nasce em meio a interrupções, demandas simultâneas e uma rotina fragmentada. “Não existe gestão do tempo eficiente sem considerar o contexto real da vida. A mulher não precisa ser perfeita, ela precisa ser estratégica”, reforça Luciene.
Mais do que organizar horários, o verdadeiro gerenciamento do tempo começa com clareza de prioridades. Perguntas simples, mas poderosas, podem transformar a rotina: O que é essencial hoje?
— O que pode esperar?
— O que pode ser delegado?
— O que pode ser eliminado?
Outro ponto-chave está na gestão da energia, um conceito cada vez mais central quando se fala em produtividade contemporânea. Pausas, descanso, autocuidado e limites claros entre vida pessoal e profissional deixam de ser luxo e passam a ser estratégia.
“Produtividade sustentável não nasce do excesso, mas do equilíbrio. Respeitar os próprios limites é inteligência emocional aplicada à rotina”, destaca a especialista.
Ao propor uma mudança de mentalidade, Luciene convida mulheres a abandonarem o peso de corresponder a um padrão inalcançável. O foco deixa de ser “dar conta de tudo” e passa a ser viver com intenção, presença e coerência.
Porque, no fim, a verdadeira gestão do tempo não está em abraçar o mundo mas em escolher, com consciência, onde investir sua energia.

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