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A história das ditaduras militares na América Latina ganhará uma nova abordagem nas salas de aula do Rio Grande do Sul. A série documental Passageiros da Fronteira Sul, dirigida pelo cineasta Pedro Isaías Lucas, será distribuída em escolas de 15 municípios gaúchos, acompanhada de materiais pedagógicos destinados ao Ensino Médio e à Educação de Jovens e Adultos (EJA). A iniciativa reúne relatos de perseguição política, fugas, sequestros e solidariedade para estimular o conhecimento histórico, a reflexão sobre os direitos humanos e a compreensão dos acontecimentos que marcaram o Cone Sul.
Composta por 12 episódios de 15 minutos, a produção apresenta as fronteiras brasileiras com o Uruguai e a Argentina como territórios atravessados pela repressão política, mas também por redes de resistência e acolhimento. Além do conteúdo audiovisual, professores terão acesso a sequências didáticas e recursos de investigação histórica, incluindo documentos, entrevistas, jornais, discursos e registros de época. A proposta está alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especialmente à área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, permitindo relacionar os acontecimentos históricos a temas como cidadania, democracia, territórios e violência de Estado.
A dimensão educacional é um dos diferenciais da iniciativa, que busca transformar os episódios em instrumentos de aprendizagem e análise crítica. Segundo Márcia Coiro, consultora educacional da produção, o documentário oferece possibilidades que ultrapassam a exibição dos filmes. “Mais do que um documentário, a produção oferece um ecossistema de aprendizagem que amplia as possibilidades de cada aula”, afirma. O conjunto de materiais permite que os estudantes investiguem fontes primárias, confrontem registros históricos e compreendam como diferentes testemunhos contribuem para a construção da memória coletiva.
Entre os acontecimentos retratados está o sequestro da uruguaia Lilián Celiberti, de seus dois filhos e de Universindo Díaz, ocorrido em Porto Alegre, em 1978. O episódio ganhou repercussão após o jornalista Luiz Cláudio Cunha e o fotógrafo João Batista Scalco chegarem ao apartamento onde as vítimas eram mantidas por agentes brasileiros e uruguaios. A cobertura jornalística de Cunha recebeu o Prêmio Esso em 1979 e tornou-se um importante registro da atuação da imprensa na denúncia da repressão. Ao recuperar essa e outras histórias, a série também destaca o papel da sociedade civil na proteção de perseguidos políticos e na preservação da memória histórica.
O lançamento de Passageiros da Fronteira Sul está marcado para 9 de novembro, às 19h, no CineBancários, em Porto Alegre. Dirigida por Pedro Isaías Lucas, também responsável por Jango no Exílio, a produção pretende aproximar o passado das experiências e dos debates contemporâneos dos estudantes. Para Marinês Lemes, consultora educacional do projeto, o envolvimento dos professores é fundamental nesse processo: “Grandes transformações começam com professores inspirados e aulas que fazem sentido, com propósito, inovação e afeto”. A distribuição nas escolas deverá ampliar o acesso a registros históricos e oferecer novas possibilidades para o ensino da história recente latino-americana.









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