Uma sequência de ocorrências envolvendo o fornecimento de energia elétrica em Capão Novo, distrito de Capão da Canoa, passou a integrar uma investigação jornalística após comerciantes relatarem oscilações, interrupções e danos em equipamentos no mesmo complexo comercial onde, horas depois, um princípio de incêndio atingiu a 3 R Ferragem. O estabelecimento está localizado na Avenida Paraguassú, 4115, e pertence ao empresário Romeu Eduardo Numair.
Segundo o relato prestado por Romeu à reportagem, os primeiros problemas começaram durante a tarde, aproximadamente entre 14h30 e 15h. Naquele período, um comerciante vizinho teria informado a queima de lâmpadas, enquanto uma imobiliária próxima teria registrado problema em uma televisão. Romeu afirma que decidiu desligar computadores e equipamentos de sua loja porque já havia enfrentado episódios anteriores de instabilidade no fornecimento. O empresário também relata danos em eletrodomésticos e disjuntores de outros ocupantes do prédio.
A energia teria retornado no início da noite. Conforme o empresário, ele passou pela loja, verificou aparentemente o funcionamento do estabelecimento e deixou o local. Horas depois, por volta das 5h30 ou 6h da manhã, foi alertado sobre um incêndio. Ao chegar à ferragem, encontrou fogo na região do balcão e utilizou extintores disponíveis na empresa ao lado para controlar as chamas antes que elas alcançassem outras áreas da loja e os apartamentos existentes sobre o imóvel.
Romeu estima preliminarmente que os prejuízos possam chegar a aproximadamente R$ 100 mil, considerando estoque, mobiliário, ferramentas, instalações e os impactos decorrentes da paralisação da atividade comercial. O valor, entretanto, ainda necessita de levantamento documental e avaliação técnica definitiva. Da mesma forma, apesar da proximidade temporal entre as ocorrências elétricas relatadas e o incêndio, a documentação disponível até o momento não permite afirmar tecnicamente que uma falha da rede externa tenha sido a causa direta do fogo.
O episódio abre questionamentos que vão além do prejuízo sofrido por um único estabelecimento. Se diferentes consumidores ligados ao mesmo complexo registraram, no mesmo período, lâmpadas, televisores, eletrodomésticos ou dispositivos de proteção afetados, torna-se necessário esclarecer se houve alguma anormalidade na rede de distribuição responsável pelo atendimento daquela região. A reportagem buscará informações junto à CEEE Equatorial sobre registros operacionais, interrupções, ocorrências, transformadores ou outros eventos registrados no sistema que atende Capão Novo durante o período relatado.
A apuração também buscará informações oficiais sobre o atendimento do Corpo de Bombeiros, eventuais protocolos registrados por outros consumidores e documentos técnicos capazes de esclarecer a origem do incêndio. Moradores e comerciantes de Capão Novo que tenham registrado, no mesmo período, oscilações de energia, aparelhos queimados, interrupções, protocolos de atendimento, vídeos, fotografias ou outros documentos podem contribuir com a investigação. O objetivo é responder a uma questão de evidente interesse público: o que efetivamente aconteceu na rede elétrica que atendia Capão Novo naquele período e quantos consumidores podem ter sido afetados?

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