Na Porto Alegre de 1986, em meio ao efervescente período da redemocratização brasileira, uma jovem fotógrafa passou a fazer parte da rotina de um dos maiores poetas do País. Todas as manhãs, era recebida por Mario Quintana com uma frase que atravessaria o tempo: “Bom dia, minha sombra luminosa.” Décadas depois, essa conexão marcada por delicadeza, arte e cumplicidade inspira o longa-metragem Minha Sombra Luminosa, que iniciou suas gravações neste mês na Capital gaúcha.
Mais do que revisitar a trajetória de Quintana, o filme propõe um novo olhar sobre a história: o protagonismo de Liane Neves, fotógrafa que se tornou presença constante e silenciosa na vida do escritor. Interpretada por Klara Castanho, Liane surge como a mulher que, através da sensibilidade de sua lente, conseguiu captar a essência íntima e humana de um poeta frequentemente visto como inacessível.
Entre corredores, janelas e silêncios do icônico Hotel Majestic, onde Quintana viveu seus últimos anos, a fotógrafa construiu um registro visual que hoje integra a memória afetiva e cultural do Rio Grande do Sul. O longa mergulha justamente nessa relação rara, um encontro entre o rigor artístico da documentação e a delicadeza de uma amizade que atravessou gerações, personalidades e o próprio tempo.
Com direção de Tomás Fleck e Fernando Eiras no papel de Mario Quintana, Minha Sombra Luminosa transforma Liane Neves no fio condutor de uma narrativa poética e profundamente humana. Mais do que uma biografia, o filme é um tributo ao olhar feminino que ajudou a preservar a imagem sensível do “Anjo de Porto Alegre” para a eternidade.
A produção também celebra uma Porto Alegre carregada de memória, cultura e afeto, cidade que permanece viva nas fotografias de Liane e nos versos eternos de Quintana. Com estreia prevista para 2027, o longa promete emocionar o público ao revelar a história da mulher que escolheu permanecer na sombra para iluminar, através da arte, a grandeza de um poeta imortal.
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