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Sexta-feira, 07 de Agosto 2026
Saúde & Bem-Estar

Climatério não é menopausa: a fase que milhões de brasileiras atravessam sem saber o que está acontecendo com o próprio corpo

Ondas de calor, insônia, alterações de humor, queda da libido e dificuldade de concentração podem começar anos antes da última menstruação

Simone Martins
Por Simone Martins
Climatério não é menopausa: a fase que milhões de brasileiras atravessam sem saber o que está acontecendo com o próprio corpo
Foto Divulgação
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Ginecologista explica como reconhecer os sinais, quando procurar ajuda e por que informação pode transformar essa etapa da vida feminina. Mudanças no ciclo menstrual, ondas de calor, noites mal dormidas, alterações de humor, ansiedade, queda da libido e até dificuldade para se concentrar. Para milhões de mulheres brasileiras, especialmente a partir dos 40 anos, esses sinais fazem surgir uma pergunta recorrente: “Estou na menopausa?”

Na maioria das vezes, a resposta é não. O organismo pode estar entrando no climatério, período de transição hormonal que antecede a menopausa e pode se estender por vários anos. Embora seja uma etapa natural do envelhecimento feminino, ainda é marcada por dúvidas, desinformação e, muitas vezes, pelo silêncio. O resultado é que inúmeras mulheres convivem durante anos com sintomas que interferem no sono, no trabalho, nos relacionamentos, na sexualidade e na qualidade de vida sem compreender sua origem.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a menopausa natural costuma ocorrer entre os 45 e os 55 anos e só pode ser confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não exista outra causa clínica para a ausência do ciclo. O climatério, por sua vez, começa antes: é o período em que os ovários passam a produzir hormônios de maneira irregular e surgem as primeiras manifestações da transição menopausal.

No Brasil, a dimensão do tema é expressiva. Dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) estimam que aproximadamente 17 milhões de brasileiras estejam vivendo o climatério, enquanto cerca de 9,2 milhões já passaram pela menopausa. Com o aumento da expectativa de vida feminina, essa população tende a crescer.
Uma geração de mulheres que ainda recebe pouca informação

A falta de informação é um dos principais obstáculos para que as mulheres atravessem essa fase com mais segurança. Um estudo brasileiro publicado em 2025 na revista científica PLOS One, com mais de 1.100 mulheres entre 40 e 65 anos, revelou que apenas 30,3% estavam satisfeitas com as informações recebidas sobre menopausa e possibilidades de tratamento. O levantamento também mostrou que 92,97% apresentavam pouco ou nenhum conhecimento sobre terapia hormonal, evidenciando a necessidade de ampliar o acesso à informação qualificada e ao acompanhamento médico.

Para o ginecologista Dr. Dorval de Andrade Tessari, disponível na plataforma Doctoralia e autor do livro Climatério e Menopausa  Uma conversa sincera, longe das paixões, que será lançado em 21 de agosto, em Caxias do Sul (RS), compreender essa etapa é fundamental para que a mulher tenha mais autonomia sobre suas escolhas.
“A menopausa não representa um fim, mas uma transição natural e significativa na biografia feminina. Com informação e conhecimento necessários, a mulher pode, em conjunto com seu médico, tomar decisões informadas e seguras.”
Na obra, o especialista aborda os fundamentos hormonais do climatério e da menopausa, incluindo o papel do estradiol e o conceito de “janela de oportunidade” relacionado à terapia hormonal.

Nem tudo começa com o famoso fogacho

Um dos grandes desafios está justamente em reconhecer que o climatério pode se manifestar de formas diferentes e nem sempre começa pelas tradicionais ondas de calor.
“Muitas pacientes chegam ao consultório preocupadas apenas com as ondas de calor, mas relatam cansaço, insônia, irritabilidade, ansiedade, perda da memória recente, dificuldade de concentração ou diminuição da libido sem imaginar que tudo isso pode fazer parte dessa fase. Por isso, é importante olhar para o conjunto dos sintomas e não apenas para a interrupção da menstruação”, explica Dr. Dorval.

Entre os sinais que podem indicar o início do climatério estão:

irregularidade menstrual;
ondas de calor e fogachos;
suor noturno;
dificuldade para dormir;
alterações de humor;
irritabilidade e ansiedade;
dificuldade de concentração;
alterações de memória;
redução da libido;
ressecamento vaginal;
fadiga;
mudanças na composição corporal, incluindo aumento da gordura abdominal.
A intensidade e a combinação desses sintomas variam de mulher para mulher. Algumas praticamente não apresentam manifestações, enquanto outras podem experimentar mudanças capazes de impactar significativamente a rotina.
Afinal, qual é a diferença entre climatério e menopausa?
Apesar de frequentemente tratados como sinônimos, os termos representam conceitos diferentes.

Climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva da mulher. Durante essa etapa, ocorre uma redução e uma maior irregularidade na produção dos hormônios ovarianos, especialmente o estrogênio, podendo provocar diferentes sintomas.
Menopausa, por outro lado, é um marco biológico: corresponde à última menstruação. Ela só pode ser confirmada retrospectivamente depois que a mulher permanece 12 meses consecutivos sem menstruar, sem outra causa que justifique a ausência do ciclo.
Em outras palavras: a mulher passa pelo climatério; a menopausa é o marco que confirma o fim da menstruação.

Quando procurar o ginecologista?

Não é necessário esperar os sintomas se tornarem intensos para buscar orientação. A avaliação médica é recomendada sempre que alterações no ciclo menstrual, sono, humor, sexualidade ou bem-estar começarem a interferir na qualidade de vida ou quando houver dúvidas sobre o que está acontecendo.
A consulta também é importante porque sintomas semelhantes podem estar relacionados a outras condições, como alterações da tireoide, distúrbios do sono, ansiedade e problemas metabólicos.

Além de avaliar os sintomas e indicar, quando necessário, estratégias individualizadas de tratamento, o acompanhamento médico permite discutir medidas de prevenção relacionadas à saúde óssea, cardiovascular e metabólica, que ganham ainda mais importância ao longo dessa fase da vida.
“O climatério não precisa ser enfrentado em silêncio. Hoje existem diversas estratégias para aliviar os sintomas, desde mudanças no estilo de vida até tratamentos individualizados, quando indicados. Quanto mais cedo a mulher compreender o que está acontecendo com seu corpo, maiores são as possibilidades de manter sua saúde física, emocional e sexual ao longo dessa etapa”, destaca Dr. Dorval.

Mais informação, menos tabu

Mais do que uma questão relacionada à menstruação, climatério e menopausa envolvem sono, saúde emocional, sexualidade, metabolismo, ossos, coração e qualidade de vida. Por isso, especialistas defendem que o tema deixe de ser tratado como um assunto secundário ou exclusivamente feminino e passe a ocupar espaço permanente nas discussões sobre saúde e envelhecimento.

A mensagem é direta: menopausa não é o começo do fim. E climatério não precisa ser uma fase vivida no escuro. Informação, acompanhamento médico e decisões individualizadas podem transformar a maneira como milhões de mulheres atravessam essa importante etapa da vida. 

FONTE/CRÉDITOS: Bárbara Cheffer - Jornalista Simone Martins
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Publicado por:

Simone Martins

Simone Martins, comunicóloga, Jornalista, Assessora de Imprensa com mais de 20 anos de experiência nas áreas de Comunicação e Marketing. Produtora de eventos e proprietária da SM Assessoria de comunicação e Imprensa.

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