Porto Alegre vive um verdadeiro fenômeno nas ruas e também nas vitrines. O crescimento acelerado das corridas de rua na capital gaúcha está movimentando não apenas parques e avenidas, mas também aquecendo de forma significativa o comércio esportivo. Uma pesquisa inédita do Núcleo de Pesquisa do Sindilojas Porto Alegre revela que 59,3% das lojas do setor identificam as provas como um motor direto de consumo, impulsionando principalmente a venda de tênis, vestuário e acessórios esportivos.
O levantamento chega em um momento emblemático. A cidade, oficialmente reconhecida como Capital da Corrida de Rua desde a aprovação da Lei 271/2025, vive uma expansão expressiva da modalidade. Em 2025, foram 91 provas e mais de 128 mil participantes, número que mais que dobrou em relação a 2024 e quadruplicou na comparação com 2023. Para 2026, o calendário já projeta 77 eventos confirmados, consolidando Porto Alegre como um dos principais polos da corrida no país.
Para o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, o impacto vai além do esporte.
“A corrida de rua reflete um novo comportamento de consumo, ligado à saúde, bem-estar e qualidade de vida. Esse movimento cria um ciclo contínuo de compra, no qual o atleta busca evolução, performance e renovação de equipamentos, gerando impacto direto no varejo especializado”, destaca.
Corrida deixa de ser tendência e se consolida como hábito de consumo
O estudo aponta que 54% dos lojistas perceberam aumento no número de clientes corredores, reforçando a corrida como um dos principais pilares do estilo de vida ativo na capital.
Grandes eventos, como a tradicional Maratona Internacional de Porto Alegre (Maratona Olympikus), funcionam como verdadeiros catalisadores de consumo, estimulando atletas iniciantes e experientes a investir em novos equipamentos para treinos e competições.
Estabilidade nas vendas revela força e resiliência do setor
Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, o varejo esportivo demonstra consistência. 65% das lojas registraram estabilidade nas vendas, enquanto 21% apontaram crescimento, com avanços entre 11% e 20%.
Os dados evidenciam uma expansão orgânica e sustentável do setor, mesmo com o impacto das altas taxas de juros, que tendem a frear o consumo de itens de maior valor. Por outro lado, entre os lojistas que registraram retração, parte aponta desafios como baixa presença digital e dependência de produtos importados, mais sensíveis à variação de preços.
Perfil do corredor revela consumo consciente e estratégico
O comportamento do consumidor também acompanha esse novo cenário. O ticket médio predominante está entre R$ 251 e R$ 400, faixa indicada por 44% dos lojistas, sinalizando um público que busca equilíbrio entre custo, qualidade e desempenho.
Compras acima de R$ 501 ainda são minoritárias, refletindo um consumidor mais cauteloso e estratégico. Para estimular vendas, 58% das lojas adotam políticas de desconto, sendo comum reduções entre 16% e 20%.
Tênis lidera, mas acessórios ganham protagonismo
O tênis de corrida segue como protagonista absoluto, liderando as vendas em 52% das lojas. Em seguida, aparecem roupas esportivas como camisetas e calções, com alta rotatividade, especialmente nos meses de calor.
Um destaque recente é o crescimento da procura por acessórios. Bonés e viseiras registraram aumento de 37%, impulsionados pelas condições climáticas e pela busca por conforto e proteção durante os treinos.
Digitalização redefine a jornada de compra do corredor
A pesquisa também evidencia a transformação digital do varejo esportivo. Hoje, 76% das lojas já possuem presença online, consolidando um modelo híbrido entre físico e digital.
Mais do que sites tradicionais, o destaque está no social commerce:
Instagram (38,2%)
WhatsApp (34,2%)
Esses canais lideram as vendas online, reforçando a preferência por atendimento direto, personalizado e ágil.
Esse comportamento se reflete também nos meios de pagamento. 54% das lojas utilizam links de pagamento, facilitando a finalização das compras iniciadas nas redes sociais. Já o cartão parcelado responde por 72% das transações, confirmando sua relevância no consumo.

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