A cidade de Porto Alegre acaba de ganhar um novo e vibrante símbolo: a Cattleya intermedia varietal aquinii. Essa rara orquídea, cuja descoberta acidental remonta ao século XIX, foi oficialmente designada a flor símbolo da capital gaúcha, um reconhecimento que celebra sua beleza única e a rica conexão histórica da cidade com sua flora nativa.
A história dessa orquídea singular é quase um conto. Há cerca de 150 anos, Francisco d'Aquino, um observador atento da natureza, deparou-se com uma orquídea extraordinária no jardim de Antônio Joaquim da Silva Valladares, em Porto Alegre. O que chamou a atenção de Aquino foi uma característica incomum para a espécie: a presença de três sépalas e três labelos, uma verdadeira anomalia botânica. Em homenagem ao seu descobridor, a variedade foi batizada de "aquinii".
A descoberta rapidamente repercutiu nos círculos botânicos, tanto no Brasil quanto na Europa. A orquídea foi objeto de intensos estudos e, no início do século XX, o renomado botânico britânico John Lindley foi responsável por sua classificação oficial. Desde então, a raridade da Cattleya intermedia aquinii a tornou um tesouro para colecionadores e associações dedicadas à preservação de orquídeas, como o Círculo Gaúcho de Orquidófilos, que zelaram por exemplares ao longo de gerações.
Recentemente, a Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou uma nova lei municipal que consagra a Cattleya intermedia aquinii como a flor símbolo oficial da cidade. Essa decisão reforça a valorização do patrimônio botânico local e aprofunda a identidade de Porto Alegre, especialmente em relação à sua flora nativa encontrada nas margens do Guaíba. Mais do que uma simples flor, a Cattleya intermedia aquinii passa a representar a riqueza natural e a história pulsante da capital gaúcha.

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