Há exatamente um ano, em 3 de maio de 2024, o cenário em Porto Alegre era de devastação e incerteza. O lago Guaíba alcançava impressionantes 4,77 metros, superando a cheia histórica registrada em 1941. O avanço das águas alagou ruas inteiras, paralisou a Rodoviária da capital e forçou centenas de comerciantes a fechar as portas. Milhares de pessoas foram retiradas de suas casas, e a cidade mergulhou num estado de emergência que mobilizou voluntários, órgãos públicos e instituições.
A cheia de 2024 ficou marcada como uma das piores tragédias climáticas do estado, agravada por dias consecutivos de chuva intensa e falhas na drenagem urbana. A imagem do terminal rodoviário coberto pela água tornou-se símbolo do colapso momentâneo da infraestrutura da cidade.
Mas, passados doze meses, Porto Alegre tenta virar a página. O terminal foi reaberto, comerciantes retornaram às suas lojas e novos protocolos de emergência foram implantados. Apesar de ainda enfrentar desafios — especialmente em comunidades mais vulneráveis — a cidade celebra avanços importantes.
"A retomada foi lenta, mas conseguimos nos reerguer. Hoje, estamos mais preparados e unidos", relata Simone Ferreira, dona de uma papelaria no Centro Histórico, que teve que recomeçar do zero após perder todo o estoque na enchente.
Além da reconstrução física, a data também traz reflexões sobre as mudanças climáticas, a prevenção de desastres e a importância de políticas públicas eficazes. A Prefeitura, em parceria com universidades e especialistas, lançou neste mês um novo plano de contenção e monitoramento do Guaíba, além de reforçar os sistemas de alerta à população.
Em meio às memórias de um maio inesquecível, Porto Alegre segue firme, aprendendo com o passado para proteger seu futuro.
