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Porto Alegre Curioso

A Maldição da Igreja das Dores: Lenda ou coincidência?

Construção da igreja mais antiga de Porto Alegre levou quase um século, alimentando a lenda de uma praga lançada por um escravizado condenado injustamente.

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
A Maldição da Igreja das Dores: Lenda ou coincidência?
Foto: Divulgação
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Porto Alegre é uma cidade repleta de histórias que atravessam séculos, e uma das mais conhecidas envolve a imponente Igreja Nossa Senhora das Dores, localizada no Centro Histórico. Além de sua beleza arquitetônica e importância religiosa, o templo carrega consigo uma lenda que até hoje intriga moradores e visitantes: a suposta maldição do escravo Josino.

De acordo com a tradição oral, no início do século XIX, Josino trabalhava na construção da igreja, iniciada em 1807. Acusado injustamente de um crime, ele foi condenado à morte por enforcamento. Antes de ser executado, teria lançado uma praga: “Esta obra nunca será concluída”, como forma de provar sua inocência e denunciar a injustiça sofrida.

Curiosamente, a construção da igreja enfrentou uma série de contratempos. Foram quase 100 anos de obras, só sendo finalizada entre 1901 e 1904, dependendo das fontes. Atrasos financeiros, problemas técnicos e falta de mão de obra são explicações históricas plausíveis. No entanto, o imaginário popular preferiu enxergar nesses obstáculos a confirmação da maldição de Josino.

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Pesquisadores, contudo, apontam que não há registros oficiais que comprovem a existência de Josino ou de execuções no entorno da igreja. Os enforcamentos na época ocorriam em locais específicos, como o Largo da Forca, na atual Praça da Harmonia, distante do templo. A história da maldição, portanto, parece ser fruto da mistura entre memória popular, sofrimento da população negra escravizada e as dificuldades comuns de grandes obras da época.

Apesar (ou por causa) desse enredo sombrio, a Igreja Nossa Senhora das Dores permanece como símbolo de resistência, fé e patrimônio cultural. Em 1938, foi tombada pelo IPHAN e, em 2022, foi elevada à categoria de Basílica Menor pelo Papa Francisco, reforçando sua relevância histórica e espiritual.

A lenda da maldição é, hoje, parte do folclore porto-alegrense, lembrando que as pedras e paredes da cidade não carregam apenas cal e cimento, mas também memórias — algumas tristes, outras lendárias, todas essenciais para entender quem somos.

FONTE/CRÉDITOS: Redação PoaNews - Marcos Medeiros
Reporter Medeiros

Publicado por:

Reporter Medeiros

Jornalista e assessor de comunicação, com atuação em produção de conteúdo informativo, institucional e sindical. Desenvolve reportagens e projetos estratégicos com foco em credibilidade, transparência e responsabilidade social.

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