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Segunda-feira, 20 de Abril de 2026

ESPECIAL ENCHENTES

Câmara de Porto Alegre Corre Contra o Tempo para Salvar Documentos Históricos Danificados pelas Enchentes

Após ser parcialmente submersa em maio de 2024, instituição investe em tecnologias especializadas para recuperar parte do acervo e digitalizar arquivos essenciais

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
Câmara de Porto Alegre Corre Contra o Tempo para Salvar Documentos Históricos Danificados pelas Enchentes
Após a água baixar, fichas financeira foram penduradas em varais para secagem manual | Foto: Júlia Urias/CMPA
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As enchentes que atingiram Porto Alegre em maio de 2024 deixaram um rastro de destruição, e a Câmara Municipal foi uma das instituições públicas mais afetadas. O primeiro andar do prédio ficou submerso por até 1,5 metro, comprometendo móveis, equipamentos e, principalmente, documentos de valor histórico e administrativo.

Entre os materiais danificados estão processos administrativos, fichas financeiras e funcionais de servidores, além de registros fotográficos que compõem parte significativa da memória institucional da cidade.

Corrida Pela Recuperação

Logo após o recuo das águas, a Câmara deu início a uma série de medidas emergenciais. Materiais mais sensíveis, como negativos fotográficos e fichas financeiras, foram imediatamente submetidos a secagem manual — método que permitiu a recuperação total ou parcial desses arquivos.

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Com o apoio de técnicos especializados, o próximo passo é o envio de uma parte maior do acervo para São Paulo, onde será submetido a tratamento com ozônio, técnica usada para desinfecção e restauração de documentos contaminados por mofo e fungos. Após a descontaminação, todos os documentos possíveis serão digitalizados, garantindo sua preservação e acesso futuro.

Eliminação e Controvérsia

Apesar dos esforços, parte dos documentos — inclusive 136 caixas com material classificado como de guarda permanente — foi considerada irrecuperável e destinada à eliminação. A Câmara afirma que todos esses documentos já estavam digitalizados e disponíveis para consulta, atendendo à legislação vigente.

A decisão, no entanto, gerou críticas. Especialistas e entidades da área de preservação documental apontam a necessidade de mais transparência nos critérios adotados para declarar "perda total", especialmente diante de outros casos na cidade onde materiais foram descartados sem tentativas reais de recuperação.

Memória, Transparência e Gestão Pública

A direção da Câmara destaca que a digitalização representa um avanço na gestão documental e permitirá maior acessibilidade aos registros históricos. Ainda assim, o episódio expõe a vulnerabilidade dos acervos públicos frente a desastres climáticos e a urgência de protocolos preventivos e técnicos mais rigorosos.

O Que Já Foi Feito

  • Secagem emergencial de documentos mais frágeis

  • Contratação de especialistas em restauração documental

  • Envio de materiais para descontaminação por ozônio em São Paulo

  • Digitalização dos acervos recuperáveis

  • Eliminação do que foi considerado irrecuperável, já digitalizado

A previsão é que o primeiro andar da Câmara volte a operar normalmente até o final de 2025, com a maioria dos documentos essenciais preservados digitalmente.

FONTE/CRÉDITOS: Redação PoaNews - Marcos Medeiros
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Jornalista e assessor de comunicação, com atuação em produção de conteúdo informativo, institucional e sindical. Desenvolve reportagens e projetos estratégicos com foco em credibilidade, transparência e responsabilidade social.

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