As enchentes que atingiram Porto Alegre em maio de 2024 deixaram um rastro de destruição, e a Câmara Municipal foi uma das instituições públicas mais afetadas. O primeiro andar do prédio ficou submerso por até 1,5 metro, comprometendo móveis, equipamentos e, principalmente, documentos de valor histórico e administrativo.
Entre os materiais danificados estão processos administrativos, fichas financeiras e funcionais de servidores, além de registros fotográficos que compõem parte significativa da memória institucional da cidade.
Corrida Pela Recuperação
Logo após o recuo das águas, a Câmara deu início a uma série de medidas emergenciais. Materiais mais sensíveis, como negativos fotográficos e fichas financeiras, foram imediatamente submetidos a secagem manual — método que permitiu a recuperação total ou parcial desses arquivos.
Com o apoio de técnicos especializados, o próximo passo é o envio de uma parte maior do acervo para São Paulo, onde será submetido a tratamento com ozônio, técnica usada para desinfecção e restauração de documentos contaminados por mofo e fungos. Após a descontaminação, todos os documentos possíveis serão digitalizados, garantindo sua preservação e acesso futuro.
Eliminação e Controvérsia
Apesar dos esforços, parte dos documentos — inclusive 136 caixas com material classificado como de guarda permanente — foi considerada irrecuperável e destinada à eliminação. A Câmara afirma que todos esses documentos já estavam digitalizados e disponíveis para consulta, atendendo à legislação vigente.
A decisão, no entanto, gerou críticas. Especialistas e entidades da área de preservação documental apontam a necessidade de mais transparência nos critérios adotados para declarar "perda total", especialmente diante de outros casos na cidade onde materiais foram descartados sem tentativas reais de recuperação.
Memória, Transparência e Gestão Pública
A direção da Câmara destaca que a digitalização representa um avanço na gestão documental e permitirá maior acessibilidade aos registros históricos. Ainda assim, o episódio expõe a vulnerabilidade dos acervos públicos frente a desastres climáticos e a urgência de protocolos preventivos e técnicos mais rigorosos.
O Que Já Foi Feito
-
Secagem emergencial de documentos mais frágeis
-
Contratação de especialistas em restauração documental
-
Envio de materiais para descontaminação por ozônio em São Paulo
-
Digitalização dos acervos recuperáveis
-
Eliminação do que foi considerado irrecuperável, já digitalizado
A previsão é que o primeiro andar da Câmara volte a operar normalmente até o final de 2025, com a maioria dos documentos essenciais preservados digitalmente.

Comentários: