Duas sessões de júri popular encerradas nesta semana em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, resultaram na condenação de sete envolvidos no assassinato dos DJs Leonardo Scherer Kologeski, de 21 anos, e Diego Lafourcade, de 36 anos. Os músicos foram brutalmente executados no dia 1º de maio de 2020, vítimas de uma emboscada na Estrada Leopoldo Petry, conhecida como Estrada da Prainha, que liga o centro da cidade ao bairro rural de Lomba Grande.
Segundo as investigações, o crime foi encomendado por líderes de uma facção criminosa presos, após os DJs serem acusados de desviar parte de uma carga de crack. A execução teria sido determinada por um chamado “tribunal do tráfico”, como forma de impor disciplina dentro da organização.
Os corpos das vítimas apresentavam múltiplas perfurações por arma de fogo, confirmando a violência e a frieza da execução. O plano envolveu uma rede de participantes: desde os mandantes até os responsáveis pelo transporte e assassinato das vítimas.
As condenações
Os dois mandantes do crime receberam penas de 55 anos de reclusão cada. Os dois atiradores foram condenados a 33 e 38 anos, respectivamente. Os responsáveis pelo transporte das vítimas até o local da execução pegaram 28 anos cada. Um intermediário, que atuou como elo entre os presos e os executores, foi sentenciado a 33 anos. Somadas, as penas ultrapassam os 270 anos de prisão.
Um oitavo acusado, cuja participação se restringia à organização criminosa, foi absolvido pela Justiça.
Execução planejada
De acordo com o Ministério Público, os DJs foram atraídos até o local com a falsa promessa de uma reunião. Ao chegarem, foram submetidos a uma espécie de julgamento informal, antes de serem mortos a tiros. A emboscada foi articulada para evitar qualquer chance de fuga ou defesa por parte das vítimas.
Os julgamentos ocorreram em datas diferentes: os mandantes foram julgados nos dias 21 e 22 de maio de 2025, enquanto os executores e cúmplices foram julgados dias antes, em sessões marcadas por comoção e forte presença policial.
Repercussão
O caso chocou a comunidade local e expôs novamente a força das facções criminosas que atuam na região metropolitana de Porto Alegre. As famílias das vítimas acompanharam os julgamentos e, ao final, manifestaram alívio com a condenação dos responsáveis.
As autoridades esperam que a sentença sirva de exemplo para o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas que ainda assola diversas cidades do Rio Grande do Sul.
