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Terça-feira, 09 de Junho 2026
Empreendedorismo

De filha de pescadores a jovem aprendiz: história de Brenda revela recomeço após enchentes no RS

Adolescente de Rio Grande que ajuda a família na pesca de camarão conquista o primeiro emprego por meio do Programa Partiu Futuro Reconstrução

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
De filha de pescadores a jovem aprendiz: história de Brenda revela recomeço após enchentes no RS
Crédito das imagens: Divulgação Demà
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A rotina de Brenda Quesia Vilella Lemos, de 15 anos, começa cedo, às margens da Lagoa dos Patos, no bairro Bosque, em Rio Grande. Antes mesmo de vestir o uniforme de jovem aprendiz, ela ajuda os pais na pesca de camarão – atividade que sustenta a família. Entre redes, marés e responsabilidades que chegaram cedo, Brenda aprendeu, ainda criança, o valor do trabalho e da parceria dentro de casa.

Esses aprendizados se tornaram essenciais após a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024. A residência onde ela vive com os pais e o irmão foi tomada pela água, que chegou à altura do peito. A família perdeu praticamente tudo e precisou ficar dois meses fora de casa. “Eu perdi roupas, armário, cama... A minha penteadeira eu não perdi porque eu tirei. Fazia apenas 28 dias que a gente tinha montado”, relembra Brenda.

Como milhares de famílias gaúchas, a realidade mudou de forma abrupta. Mas, em meio às dificuldades, surgiram novas possibilidades. Brenda encontrou no Programa Partiu Futuro Reconstrução uma oportunidade de recomeçar e de transformar a própria trajetória.

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Foi pelas redes sociais que ela conheceu a iniciativa. “Eu encontrei a Demà/Renapsi pelo Instagram, entrei no site e me inscrevi para o programa. Aí descobri que eu tinha mais possibilidade de entrar, porque esse projeto é voltado para jovens atingidos pelas enchentes”, conta.

Atualmente, Brenda divide o dia entre diferentes jornadas. Pela manhã, segue ajudando a família na pesca. À tarde, atua como jovem aprendiz na Escola Municipal de Ensino Fundamental São João Batista, onde trabalha na secretaria. À noite, frequenta o sétimo ano na Escola Estadual de Ensino Fundamental Marechal Emílio Luiz Mallet.

Primeira da família a ter carteira assinada, Brenda passou a contribuir diretamente com a renda da casa. Com a bolsa-auxílio do programa e o vale-alimentação, ajuda nas despesas mensais e nas compras do mercado. Mais do que isso, conquistou autonomia.

“É bom saber que tu mesmo trabalha, que tem o teu dinheiro e não depende tanto dos pais”, diz. Foi com o próprio esforço, inclusive, que realizou um sonho: organizou sua festa de 15 anos e comprou os vestidos para o ensaio fotográfico.

Para o pai, Volcei Cardoso Lemos, o impacto vai além da renda. “Para mim, esse projeto foi um dos melhores lançados até agora. Ele é muito importante para todos os jovens, assim como para a Brenda, porque os incentiva. Começando agora, eles vão entrando num ritmo de poder trabalhar, ter o seu dinheiro, conquistar as coisas do jeito deles”, afirma.
A mãe, Viviane Vilella Lemos, percebe mudanças positivas no comportamento e no desempenho da filha. “Ela é bem inteligente. Agora, consegue aprender tudo e tirar nota boa. Eu digo pra Brenda: se tu seguir nesse caminho, a hora que Deus quiser me levar, eu vou morrer sossegada.”

Entre o trabalho, os estudos e os sonhos, Brenda já traça o futuro com clareza. “Minha expectativa é continuar trabalhando, estudar bastante e, no futuro, fazer uma faculdade de medicina e me tornar médica legista.”

Sobre o Programa Partiu Futuro Reconstrução

Ao todo, 2.785 jovens de 75 municípios gaúchos participam da segunda edição do Programa Partiu Futuro Reconstrução. Desse montante, 1.840 são atendidos pela Demà/Renapsi, por meio da tecnologia social Demà Aprendiz, em 30 cidades. Somente em Rio Grande, são 150 aprendizes.

Voltado a jovens de 14 a 22 anos, inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), matriculados ou egressos da rede pública e impactados pelas enchentes, o programa combina formação teórica e prática profissional. Após a capacitação inicial, os participantes passam a atuar em órgãos públicos quatro dias por semana, conciliando com atividades formativas.

Com duração de um ano e carga horária total de 1.040 horas, o programa oferece bolsa-auxílio de R$ 894,52, vale-alimentação de R$ 550 e vale-transporte, além de registro em carteira, direitos trabalhistas, acompanhamento psicológico, orientação jurídica, acesso à telemedicina e reforço escolar em língua portuguesa e matemática.

FONTE/CRÉDITOS: Redação PN / Assessoria Fernanda Bagatini

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Jornalista e assessor de comunicação, com atuação em produção de conteúdo informativo, institucional e sindical. Desenvolve reportagens e projetos estratégicos com foco em credibilidade, transparência e responsabilidade social.

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