O sistema de saúde da capital gaúcha vive um de seus momentos mais delicados. No último domingo (25), o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) operava com 220% de ocupação na emergência adulta e 229% na pediátrica — mais do que o dobro da capacidade instalada. A instituição está restringindo os atendimentos, priorizando apenas os casos mais graves.
A situação é reflexo de um colapso regional agravado por doenças respiratórias típicas do outono e pela sobrecarga de pacientes vindos de municípios vizinhos. Somente em 2024, 52% dos atendimentos em hospitais de alta complexidade da capital foram para moradores de cidades como Alvorada, Viamão, Gravataí, Canoas e Cachoeirinha.
Além do Clínicas, outras unidades enfrentam cenário semelhante: a Santa Casa opera com 236% de ocupação; o Hospital São Lucas da PUCRS, com 360%; e o Conceição, com 143% na emergência adulta e 114% na pediátrica. Unidades de pronto atendimento (UPAs e PAs) também estão superlotadas, como a UPA Moacyr Scliar (288%) e o PA Bom Jesus (192%).
A principal causa da explosão na demanda é o aumento expressivo de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que atinge adultos e crianças. Em resposta, a Prefeitura de Porto Alegre decretou situação de emergência em saúde pública no dia 16 de maio, válida por 90 dias.
Hospitais pedem à população que só busque as emergências em situações graves. Para casos leves, a recomendação é procurar unidades básicas de saúde (UBSs) e prontos atendimentos municipais. Paralelamente, está em curso uma operação conjunta entre Estado e Prefeitura para transferir pacientes estáveis de volta a seus municípios de origem.
A crise que atinge Porto Alegre é, na verdade, um espelho do colapso da saúde em toda a Região Metropolitana. Com estruturas saturadas e recursos escassos, cidades vizinhas acabam pressionando ainda mais a rede da capital, que tenta evitar um apagão total no atendimento hospitalar.
