Inaugurado pouco antes da maior enchente da história recente de Porto Alegre, o Espaço Marcelina, localizado na Rua do Parque, 213, no coração do Quarto Distrito, rapidamente se firmou como um polo de resistência, arte e coletividade. A tragédia climática não foi capaz de silenciar as vozes que ecoam de seus muros — vozes pretas, indígenas, LGBTQIAP+ e periféricas que encontram ali acolhimento e espaço para se expressar.
Um espaço de múltiplas linguagens
Funcionando como galeria de arte, ateliê, bar e palco para apresentações musicais e culturais, o Marcelina abriga uma programação diversa que vai de slams de poesia a bailes e festas independentes. O espaço nasce do desejo de criar redes de fortalecimento entre artistas marginalizados, promovendo encontros que celebram a diversidade cultural em um ambiente seguro e inclusivo.
“O Marcelina é mais que um espaço físico, é um território simbólico de troca, afeto e resistência”, afirma um dos organizadores, que reforça o caráter coletivo do projeto.
Resistência diante do desastre
A enchente de 2024 impactou profundamente a estrutura do espaço e a comunidade ao redor, mas não foi suficiente para interromper sua missão. Com mobilizações comunitárias e ações solidárias, o Marcelina se manteve de pé, reinventando sua atuação para continuar sendo um ponto de encontro e força cultural em meio à crise. A resiliência demonstrada pelo coletivo evidencia o poder transformador da arte frente às adversidades.
Um novo Quarto Distrito
Instalado em uma região que historicamente concentrou a atividade industrial de Porto Alegre, o Espaço Marcelina participa ativamente da reconfiguração do Quarto Distrito, que hoje desponta como polo criativo e cultural. O espaço se soma a outras iniciativas que buscam revitalizar a área, não por meio da gentrificação, mas por meio da ocupação consciente, da valorização da memória local e da promoção da arte acessível.
Ao abrir suas portas para exposições, eventos e ações sociais, o Marcelina contribui para a democratização da cultura e fortalece os laços comunitários que sustentam a vida urbana com mais empatia, escuta e pertencimento.
“Localizado no Quarto Distrito, espaço acolhe múltiplas expressões culturais, como slams, bailes e festas independentes.”
