Moradores das Ilhas de Porto Alegre, especialmente no bairro Arquipélago, vivem dias de tensão e apreensão com a elevação do nível do Guaíba e do Rio Jacuí. Após as tragédias das enchentes de 2024, o cenário atual traz de volta o medo e a insegurança.
Na tarde de sábado (21), a régua da Ilha da Pintada já marcava 2,41 metros, superando em mais de 20 centímetros a cota local de inundação (2,20 metros). Na manhã deste domingo (22), o nível geral do Guaíba em Porto Alegre estava em 3,18 metros, subindo cerca de 0,2 cm por hora, segundo o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS.
Água invade ruas e casas
Ruas como a Nossa Senhora da Boa Viagem, na Ilha da Pintada, estão totalmente bloqueadas pela água. Residências nas Ilhas do Pavão, das Flores e da própria Pintada também já foram tomadas pela cheia.
Apesar do avanço das águas, a Defesa Civil não emitiu, até agora, ordem de evacuação obrigatória, mantendo apenas alerta máximo e monitoramento constante.
Medo, ansiedade e resistência
O clima é de tensão. Muitos moradores se recusam a sair, temendo perder seus bens, seja pela água ou por furtos. “O que antes era suportável, hoje se torna crítico rapidamente. Perdemos a referência do que é seguro”, relata um morador da Ilha da Pintada.
Famílias elevam móveis, retiram carros e monitoram as águas sem descanso. A lembrança das perdas de 2024 torna tudo ainda mais angustiante.
Ações emergenciais
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81 pessoas já foram removidas em toda Porto Alegre, 53 estão na KTO Arena, incluindo famílias das ilhas e do bairro Humaitá.
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EPTC bloqueou vias afetadas.
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Defesa Civil intensifica as rondas por terra e água, oferecendo ajuda.
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Prefeitura reforça diques, comportas e barreiras de contenção.
Previsão: quando a água começa a baixar?
De acordo com o IPH/UFRGS, a expectativa é que o nível do Guaíba comece a estabilizar e iniciar uma leve queda na segunda-feira (23). No entanto, a situação segue delicada, pois as águas ainda podem oscilar com influência dos ventos e do volume vindo do interior do estado.

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