A leoa Leona, nascida e criada no Parque Arruda Câmara — a tradicional Bica, em João Pessoa — retornou ao seu recinto na tarde de 4 de dezembro de 2025, após permanecer quatro dias em isolamento e observação devido ao estresse causado pelo trágico incidente ocorrido no último domingo (30). A decisão foi tomada pela equipe técnica multidisciplinar que acompanha o animal, com suporte do Ibama, indicando melhora no comportamento e retorno gradual da normalidade.
Segundo o parque, Leona permanece sob monitoramento intensivo, com avaliações de veterinários, biólogos e tratadores que acompanham sinais de alimentação, comportamento e respostas a estímulos. O zoológico afirma que o bem-estar da leoa está preservado e que ela não corre risco de sofrer qualquer tipo de intervenção letal.
O Incidente Fatal: jovem invadiu recinto após escalar muro e passar por barreiras
O caso teve grande repercussão nacional. Gerson de Melo Machado, de 19 anos, que possuía transtornos mentais, morreu após invadir o recinto da leoa. O jovem escalou um muro de mais de 6 metros, ultrapassou as grades de segurança e utilizou uma árvore como apoio para alcançar o fosso interno onde o animal estava.
Vídeos gravados por visitantes mostraram o momento em que Leona reagiu à presença do invasor. De acordo com especialistas e com o próprio parque, o ataque ocorreu de maneira compatível com o comportamento natural da espécie, sem qualquer indício de que o animal tenha se alimentado da vítima.
O laudo preliminar do IML confirmou que a morte ocorreu por ferimentos provocados pelo ataque, restando apenas a análise toxicológica para conclusão dos exames.
Polícia descarta falhas de segurança e parque anuncia novos protocolos
A Polícia Civil da Paraíba, responsável pela investigação, informou que a perícia realizada no local e a análise das câmeras de segurança não apontaram falhas estruturais no zoológico. A invasão é tratada como um ato excepcional e imprevisível, dado o nível de barreiras existentes e a altura da estrutura que separa o público da área dos animais.
Mesmo assim, a direção do Parque Arruda Câmara anunciou uma série de medidas de reforço, incluindo:
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instalação de sensores de movimento em pontos estratégicos;
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aumento das barreiras físicas em áreas de risco;
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revisão completa dos protocolos de vigilância;
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reforço no treinamento de vigilantes e equipes internas.
Em nota, o parque destacou que “todos os esforços estão sendo concentrados para garantir a segurança dos visitantes, o bem-estar dos animais e a tranquilidade da população”.
Rotina deve ser restabelecida nos próximos dias
Com o retorno ao recinto externo, Leona deve voltar gradualmente à rotina habitual da Bica, embora sem aproximação direta do público neste primeiro momento. Técnicos avaliam que a fase de readaptação é essencial para evitar novos episódios de estresse e assegurar que o ambiente esteja plenamente seguro.
O caso reacendeu o debate sobre segurança em zoológicos e a importância de protocolos rígidos tanto para proteção dos animais quanto do público. Enquanto as investigações são concluídas, o Parque Arruda Câmara reforça que continuará “atuando com transparência, responsabilidade e compromisso com a vida”.

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