Uma experiência de aprendizado que ultrapassa a sala de aula e conecta juventude, história e identidade cultural marcou esta segunda-feira (25) no Rio Grande do Sul. Um grupo de 237 jovens do Programa Partiu Futuro Reconstrução participou de uma viagem educativa ao Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, um dos principais patrimônios históricos do país e reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.
A atividade reuniu participantes de 17 municípios gaúchos e integrou a programação especial do programa estadual voltado à formação e inserção de jovens no mercado de trabalho. A seleção ocorreu a partir de critérios de desempenho, engajamento e frequência nas atividades, valorizando a participação ativa dos estudantes ao longo da jornada de qualificação.
Ao longo do dia, os jovens vivenciaram uma imersão histórica e cultural sobre a trajetória das Missões Jesuíticas e sua importância na construção da identidade do Rio Grande do Sul. A programação incluiu palestra com a historiadora Nadir Damiani, professora da URI Santo Ângelo e referência nos estudos sobre as Reduções Jesuítico-Guaranis, além de momentos de integração com a cultura indígena guarani.
Entre as atividades, os participantes acompanharam um bate-papo com o artesão, cineasta e pensador Mbyá-Guarani Ariel Kuaray Ortega sobre produção audiovisual indígena, além de apresentação do Coral Guarani Jerojy Mbaraete, manifestações tradicionais da dança Xondaro e uma atividade de pintura facial conduzida por integrantes da aldeia Tekoá Ko’enju.
A programação também contou com visita guiada ao sítio arqueológico e ao Museu das Missões, proporcionando contato direto com um dos mais relevantes conjuntos históricos e culturais do Brasil. Durante o percurso, os jovens conheceram as ruínas da antiga redução de São Miguel Arcanjo, incluindo a emblemática fachada da catedral, símbolo da grandiosidade arquitetônica missioneira e marco da herança histórica gaúcha.
Para muitos participantes, a experiência teve significado especial. Luka Garcia da Costa, de Pelotas, destacou o impacto da visita. “Eu adorei conhecer as ruínas e aprender mais sobre as Missões e os povos indígenas guaranis. Foi uma oportunidade muito especial.” Já Emanuelli Martins dos Santos, de Rio Grande, definiu a experiência como emocionante. “Gostei muito da visita às ruínas de São Miguel. Foi tudo maravilhoso.”
A viagem ocorreu em um momento simbólico para o Estado: maio marca as celebrações dos 400 anos das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul, reforçando ainda mais a conexão entre memória, cultura e pertencimento. A agenda incluiu também um espetáculo artístico de som e luz inspirado no legado missioneiro.
Mais do que uma agenda cultural, a iniciativa reforça uma das principais propostas do Partiu Futuro Reconstrução: oferecer aos jovens oportunidades de formação integral, aliando qualificação profissional, cidadania e acesso à cultura.
Ao todo, 2.785 jovens de 75 municípios participam da segunda edição do programa, promovido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social. Voltada a pessoas entre 14 e 22 anos da rede pública de ensino, inscritas no Cadastro Único e impactadas pelas enchentes de 2024 ou residentes em municípios vinculados ao Programa RS Seguro, a iniciativa se consolida como uma política pública estratégica voltada à reconstrução de trajetórias e à ampliação de oportunidades.
Ao aproximar juventude e patrimônio histórico, o Partiu Futuro Reconstrução fortalece vínculos com a cultura gaúcha e amplia horizontes de formação. A experiência nas Missões reafirma que investir em desenvolvimento social também significa garantir acesso à memória, identidade e pertencimento — elementos que ajudam a construir não apenas o futuro de cada participante, mas também o futuro coletivo do Estado.

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