Porto Alegre ainda vulnerável: principais comportas seguem abertas ou danificadas após enchente histórica
Quase um ano após a devastadora enchente de 2024, Porto Alegre ainda convive com a fragilidade de seu sistema de contenção de cheias. Das 14 comportas instaladas ao longo do Muro da Mauá, parte essencial da estrutura de proteção da cidade, a maioria permanece com problemas estruturais ou sem as melhorias necessárias para garantir a segurança da população.
A situação mais alarmante está nas comportas 12 e 14, que foram arrancadas pela força da água durante a enchente e seguem completamente abertas. Sem portões e sem possibilidade de fechamento, esses vãos representam risco real em caso de uma nova cheia. A comporta 11 também preocupa: além de não possuir trilhos, está obstruída por lixo e sacos de areia, o que impede seu pleno funcionamento.
A prefeitura já assinou contratos para a substituição dessas três comportas críticas. A previsão é de que novas estruturas com motores hidráulicos sejam instaladas num prazo de seis a oito meses — tempo em que a cidade segue exposta.
Enquanto isso, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) tem adotado medidas paliativas, como o uso de sacos de areia e cimento (os chamados "bags") para conter temporariamente a água em pontos mais vulneráveis. Um plano de contingência também está em elaboração e prevê o uso de gabiões móveis como solução rápida em situações de emergência.
Por outro lado, há avanços. Três comportas (3, 5 e 7) foram concretadas, eliminando antigas passagens no muro e reduzindo significativamente os pontos de infiltração — de 150 metros para apenas 45. Outras quatro (8, 9, 10 e 13) também serão seladas com concreto, mas ainda não tiveram as obras iniciadas.
As comportas que funcionaram durante a enchente (1, 2, 4 e 6), localizadas no Cais Embarcadero e no Cais Mauá, serão aprimoradas com melhorias na vedação e mobilidade.
Apesar dos atrasos e entraves burocráticos, técnicos da prefeitura garantem que Porto Alegre está mais preparada do que antes da tragédia de 2024. Mas enquanto as obras não são finalizadas, o sistema de proteção continua em estado de alerta — e a cidade, à mercê do próximo grande volume de chuvas.

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