Em resposta aos danos provocados pela enchente histórica de maio de 2024, a Prefeitura de Porto Alegre anunciou um investimento de R$ 11 milhões para modernizar o sistema de proteção contra cheias da cidade. O recurso será aplicado, por meio de licitações conduzidas pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), no fechamento definitivo de comportas obsoletas e na substituição de outras por novas estruturas móveis e mais resistentes.
As obras se dividem em duas frentes principais. A primeira prevê o fechamento definitivo de quatro comportas (8, 9, 10 e 13) localizadas sob a Avenida Castelo Branco, ao custo de R$ 3,1 milhões. Essas passagens, que antes serviam ao acesso portuário, serão seladas com concreto armado e integradas ao Muro da Mauá, seguindo o modelo já aplicado nas comportas 3, 5 e 7.
A segunda etapa, que demandará R$ 8,2 milhões, inclui a substituição de três comportas (11, 12 e 14) por portões móveis, projetados para suportar a força do rio Jacuí, cujas águas impactam diretamente a região central da capital gaúcha. As novas estruturas serão mais robustas e contarão com mecanismos modernos de vedação e mobilidade.
A decisão de reformular o sistema foi acelerada após a tragédia de 2024, quando a falta de manutenção adequada nas comportas foi apontada como uma das causas da inundação que devastou parte da cidade. Ao todo, com o fechamento de sete passagens, a amplitude total de aberturas no Muro da Mauá será reduzida de 150 metros para 45 metros, ampliando significativamente a proteção da área urbana.
Apesar dos avanços nas comportas, especialistas apontam que as obras nas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) seguem paralisadas, o que representa um risco para a eficácia completa do sistema em casos de chuvas intensas.
A prefeitura informou que, após a conclusão das atuais intervenções, novas licitações serão abertas para melhorar a vedação e a operação das comportas que permanecem em uso (1, 2, 4 e 6). A expectativa é que as obras tragam maior segurança à população e minimizem os riscos de desastres futuros, embora o sucesso pleno da iniciativa dependa de investimentos adicionais em outras áreas críticas da infraestrutura urbana.

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