Um ano após a tragédia climática que devastou o Rio Grande do Sul, quase 400 pessoas ainda vivem em abrigos públicos no estado. A maioria dos desabrigados se concentra na Região Metropolitana de Porto Alegre, com destaque para o município de Canoas, que ainda carrega as marcas da destruição.
O planejamento das autoridades é claro: esvaziar os maiores abrigos até o fim de maio de 2025. Mas, com a lentidão na entrega de moradias temporárias e definitivas, o desafio parece cada vez mais difícil. A recuperação tem sido marcada por avanços pontuais e muitos entraves, especialmente na reconstrução habitacional.
A tragédia, considerada uma das maiores da história do estado, atingiu 478 dos 497 municípios gaúchos. Quase um milhão de pessoas foram afetadas, com um saldo devastador de mais de 180 mortes. No auge da crise, cerca de 80 mil pessoas ficaram sem casa. Em outubro de 2024, esse número caiu para cerca de 1.800, e agora, em abril de 2025, está próximo de 400.
Apesar da redução, o número ainda assusta. Muitas das famílias que permanecem nos abrigos vivem em situação precária, dependendo da assistência do poder público. Programas de auxílio emergencial e linhas de crédito foram criados, mas não têm sido suficientes para garantir uma retomada digna da vida dessas pessoas.
A meta de encerrar os maiores abrigos até maio traz uma urgência ao problema. A retomada das moradias — tanto temporárias quanto definitivas — precisa ser acelerada para garantir que essas famílias não fiquem à margem por mais um inverno.
A catástrofe de 2024 deixou marcas profundas no solo e na memória dos gaúchos. Um ano depois, a tragédia ainda não terminou para centenas de pessoas que esperam, com incerteza, pelo direito básico de ter um lar.

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