A Justiça Federal condenou a Taurus Armas a indenizar em R$ 10 mil cada um dos seis voluntários acionados, em maio de 2024, para uma operação emergencial no Aeroporto Salgado Filho, durante a grande enchente que assolou Porto Alegre. A decisão, assinada pelo juiz Rodrigo Machado Coutinho, da 6ª Vara Federal da Capital, reconhece que o grupo foi mobilizado com base em informação falsa, o que configurou quebra de boa-fé por parte da empresa.
Os voluntários, moradores de Capão da Canoa, relataram à Justiça que receberam, via WhatsApp, um chamado urgente para o resgate de crianças ilhadas no terminal aeroportuário, completamente tomado pela água na ocasião. Ao chegarem ao local, porém, descobriram que a ação envolvia o salvamento de um grande carregamento de armas da Taurus — cerca de 156 caixas, cada uma pesando aproximadamente 60 quilos.
Risco e sensação de exposição
Além da frustração pela informação enganosa, o grupo afirmou ter se sentido exposto a riscos concretos, temendo represálias de criminosos que tinham conhecimento de que material bélico permanecia isolado no aeroporto. O episódio ocorreu em meio ao caos provocado pela enchente histórica, quando estruturas de segurança do aeroporto estavam comprometidas e o local se encontrava vulnerável.
Taurus nega irregularidades
Em sua defesa, a Taurus informou que a operação foi conduzida a pedido da Polícia Federal, com acompanhamento da Polícia Civil, da concessionária Fraport e apoio de escolta privada, negando qualquer irregularidade na comunicação ou na condução do resgate.
Decisão: sem coação, mas com quebra de boa-fé
Embora o juiz não tenha reconhecido coação contra os voluntários, entendeu que o deslocamento até Porto Alegre foi motivado por uma falsa premissa, violando o dever de lealdade e transparência exigido em situações emergenciais.
A União foi absolvida no processo, e a Taurus ainda pode recorrer ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

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