O vereador Gilvani, conhecido como Gringo (Republicanos), apresentou à Câmara Municipal de Porto Alegre um projeto de lei para a criação de um aplicativo municipal de transporte individual, o Temovepoa. A proposta, que ainda está em tramitação, visa criar uma alternativa local aos serviços de plataformas privadas como Uber e 99, com um modelo de negócios que promete beneficiar tanto motoristas quanto a saúde pública da capital.
O Temovepoa seria gerido pela Companhia de Processamento de Dados do Município (Procempa) ou operado por meio de uma parceria público-privada. O grande diferencial do projeto está na cobrança de taxas de apenas 1% a 8% sobre o valor das corridas, bem abaixo das taxas praticadas pelas plataformas privadas, que podem chegar a 60%. Além disso, metade do valor arrecadado com essas taxas seria destinada a uma unidade de saúde escolhida pelo próprio motorista durante o cadastro no aplicativo.
Segundo o vereador Gringo, a iniciativa tem como objetivo oferecer uma opção mais justa para os motoristas, que atualmente enfrentam altos custos de operação e dependência de plataformas que concentram grande parte da renda gerada. "A ideia é criar um ciclo virtuoso, onde parte do que os motoristas pagam volta em benefícios para a comunidade", defendeu o parlamentar.
O projeto tem inspiração em experiências como o MobizapSP, lançado pela Prefeitura de São Paulo, e em iniciativas em Sorocaba (SP), que buscam criar aplicativos municipais de transporte. No entanto, essas experiências ainda têm resultados limitados, com poucos usuários e motoristas cadastrados.
Em Porto Alegre, o Sindicato dos Trabalhadores de Aplicativos do Rio Grande do Sul (Sinditrapli) criticou a proposta, apontando a falta de diálogo com a categoria na formulação do Temovepoa. "Os motoristas não foram ouvidos. Sem a participação deles, dificilmente o projeto terá sucesso", disse um representante do sindicato, lembrando que aplicativos como Kovi e Cabify fracassaram no Brasil por não conseguirem engajar motoristas e passageiros.
Para além dos desafios de aceitação, o projeto Temovepoa também precisa enfrentar o histórico de aplicativos municipais e regionais que não conseguiram competir com as plataformas privadas, como o Me Leva e sua tentativa de rebranding para "Nos Leva", que não saiu do papel em Porto Alegre.
A proposta segue em discussão no Legislativo municipal, e a próxima etapa envolve audiências públicas para ouvir motoristas, técnicos e representantes do setor. A expectativa é que o projeto seja votado ainda no segundo semestre de 2025.

Comentários: