A solidariedade não tem hora para acontecer. Às margens das rodovias BR-290 e BR-116, na Região das Ilhas, em Porto Alegre, os resgates continuam mesmo após o pôr do sol — mas é também nesse momento que o foco se volta à alimentação. Nesta quarta-feira, 25, cerca de 30 pessoas se mobilizaram para preparar um grande sopão com o objetivo de alimentar ao menos 500 moradores afetados pelas enchentes.
“É um trabalho que a gente faz desde 2022, vem de antes da enchente do ano passado”, relata o comerciante Ânderson Miranda, 41 anos, morador de Viamão. Ele e seu grupo de amigos, que já atuam voluntariamente há anos, estão há mais de dez dias na região. “Chegamos bem antes, quando começou a chover forte no interior do Estado”, diz.
As ações são todas feitas com recursos próprios. Além da distribuição de roupas, alimentos e do apoio na remoção dos desalojados, o grupo também conta com profissionais da segurança pública e da saúde. Um dos integrantes é o técnico de enfermagem Rafael Maciel, de 46 anos, que atua diretamente no atendimento aos moradores.
O cenário na beira das estradas ainda é delicado: mais de 70 famílias seguem em acampamentos improvisados, recusando-se a deixar suas casas destruídas por medo de saques ou por vínculos emocionais com o território. A prefeitura de Porto Alegre, por meio da Fasc, tem prestado apoio pontual com cestas básicas, cobertores, banheiros químicos e atendimento veterinário. O Exército Brasileiro também permanece na região realizando resgates.
Mesmo diante de adversidades e da limitada resposta do poder público, a presença ativa de voluntários como Anderson, Rafael e tantos outros transforma a beira das BRs em um verdadeiro corredor de esperança. É a prova viva de que, em meio ao caos, o espírito comunitário segue sendo o maior abrigo.
