Antigamente, bastava um café coado na hora e uma boa conversa para reunir amigos. As portas estavam sempre abertas, os abraços eram espontâneos, e as visitas não precisavam de agendamento ou de motivo especial. Existia tempo. Existia vontade. Existia reciprocidade.
Hoje, o cenário é outro. Vivemos em um tempo em que muitas amizades são mantidas por conveniência – e não por conexão verdadeira. Laços frágeis sustentados por interesses, que duram enquanto houver algo a sugar. Quando mais precisamos, recebemos respostas evasivas, desculpas vazias, ou o pior: o silêncio indiferente.
São os “amigos” que enxergam apenas o próprio umbigo, alimentados por ego inflado e orgulho cego. Pessoas que confundem carinho com fraqueza e transformam a sinceridade em motivo de escárnio. Eles não se importam com a caminhada do outro, apenas com o próprio lucro, com os bônus emocionais ou sociais que podem colher.
Mas amizade verdadeira não é negócio. É escolha. É presença, mesmo na ausência. É a mão estendida quando todos já se foram. É a escuta silenciosa nos dias difíceis, o riso compartilhado nos dias bons, o apoio que não cobra fatura.
É preciso, mais do que nunca, cuidar dos que estão conosco sem agenda, sem interesse, sem contrato. Ninguém cruza nosso caminho por acaso. Quem permanece com o coração leve e a palavra honesta deve ser acolhido, valorizado, retribuído.
A vida pede laços, não nós. E amizade é laço firme, que não se desfaz quando o vento sopra contra.

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