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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026

Anseios da Sociedade

Entre o Voto e o Túmulo: A Dor de Ser Mulher e de Esquerda no Interior do Brasil

O assassinato da vereadora do PT em Formigueiro expõe o alto custo de lutar por justiça no Brasil.

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
Entre o Voto e o Túmulo: A Dor de Ser Mulher e de Esquerda no Interior do Brasil
Foto Divulgação
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A morte da vereadora Elisiane Rodrigues, mulher, de esquerda, defensora das mulheres, do campo, dos quilombolas, é um soco no estômago de todos que ainda acreditam na política como instrumento de mudança. Ela era uma voz nova na Câmara Municipal de Formigueiro. Com apenas 218 votos, conquistou seu espaço — pequeno para o sistema, gigante para quem representava.

De primeiro mandato, empunhava com coragem a bandeira da justiça social, levando à tribuna as dores das mulheres esquecidas, das mães trabalhadoras, das comunidades invisíveis. Sua atuação não era palco, era entrega. Era luta de verdade, de corpo inteiro.

Mas hoje nos perguntamos: ela morreu pelos seus ideais? O que vale mais — a coragem de lutar ou o silêncio de sobreviver?

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Entre esquerda e direita, fica um abismo que não é apenas ideológico, mas existencial. A política pequena, suja, dominada pelo poder e pelo dinheiro, mostra seus dentes mesmo nas menores cidades. O ódio se alastra como erva daninha, tornando letal aquilo que deveria ser nobre: a defesa do povo.

O que se perdeu com sua morte não foi apenas uma mulher. Foi o grito sufocado de tantas outras que, como ela, ousam sonhar com dignidade.

Não podemos esquecer de tantas mulheres que tombaram antes de Elisiane, com coragem semelhante e ideais tão profundos quanto perigosos para quem odeia a justiça.

Recordamos:

  • Marielle Franco (Brasil) – vereadora do PSOL, mulher, negra, lésbica, executada a tiros no Rio de Janeiro em 2018 por defender direitos humanos e denunciar a violência policial nas favelas.

  • Berta Cáceres (Honduras) – líder indígena e ambientalista, assassinada em 2016 por resistir a grandes corporações e defender os direitos do povo Lenca.

  • Dina Meza (Honduras) – jornalista e defensora dos direitos humanos que vive sob constantes ameaças. Ainda viva, mas um símbolo da luta sob risco.

  • Jo Cox (Reino Unido) – parlamentar do Partido Trabalhista, assassinada em 2016 por um extremista de direita. Lutava por refugiados e justiça social.

  • Anna Politkovskaya (Rússia) – jornalista crítica ao governo Putin, assassinada em 2006. Sua luta era pela verdade e pelos direitos das vítimas da guerra na Chechênia.

  • Chokri Belaïd (Tunísia) – embora homem, sua citação relembra que o assassinato político de líderes progressistas é um fenômeno global.

Esses nomes são mais que mártires. São faróis de coragem em um mundo que insiste em apagar a luz de quem ousa pensar diferente.

A vida vale pouco menos que um voto... ou talvez o preço de um túmulo.

Que este crime bárbaro não seja apenas mais um número. Que sirva de alerta, de indignação e, sobretudo, de reflexão. Porque se a política continuar sendo campo de batalha, o amor será sempre a nossa única trincheira segura.

Sejamos menos poder, mais empatia. Menos disputa, mais humanidade. E que, por fim, possamos honrar não apenas a memória de Elisiane, mas a de todas as mulheres que, ao lutar pelo povo, entregaram o que tinham de mais precioso: suas vidas.

FONTE/CRÉDITOS: Por Marcos Medeiros
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