O Multipalco Eva Sopher abre espaço para um importante encontro entre memória, representatividade e música com o lançamento do projeto "Horacina Corrêa convida - Uma voz abre caminho para outras vozes". A iniciativa reúne diferentes gerações de cantoras negras do Rio Grande do Sul em uma série de cinco apresentações que acontecerão até o fim deste ano, no Teatro Oficina Olga Reverbel, promovendo o diálogo entre artistas consagradas e novos talentos da cena musical gaúcha.
Idealizado por Álvaro RosaCosta, novo diretor de Cultura Afro-Brasileira, Inclusão e Territorialidades do complexo cultural, o projeto presta homenagem à cantora porto-alegrense Horacina Corrêa, uma das pioneiras da música popular gaúcha e referência para diversas gerações de intérpretes negras.
"Horacina Corrêa era a nossa Carmen Miranda dos Pampas, uma celebridade que foi esquecida com o tempo. Esse projeto nasce justamente para iluminar sua trajetória e dar visibilidade às artistas negras que seguem construindo a história da música no Rio Grande do Sul", destaca RosaCosta.
A estreia acontece nesta sexta-feira, 10 de julho, às 19h, reunindo no palco a consagrada Andréa Cavalheiro e a cantora Dani Xavier, um dos nomes em ascensão da música gaúcha. A proposta da programação é criar encontros artísticos que ultrapassam o espetáculo musical, promovendo troca de experiências, repertórios, histórias de vida e diferentes influências entre gerações.
A programação terá continuidade em 21 de agosto, com Mel Souza e Marietti Fialho; 25 de setembro, quando Luciara Batista recebe Guaíra Soares; 2 de outubro, com Cristal e Pâmela Amaro; e encerra em 30 de outubro, quando Loma Solaris divide o palco com Stephanie Soeiro e a violonista Vitória Pereira.
Além de fortalecer a presença da cultura afro-brasileira na programação do Multipalco Eva Sopher, o projeto também resgata a trajetória de uma artista fundamental para a história da música nacional.
Nascida em Porto Alegre, em 1913, na antiga Colônia Africana, atual região do bairro Bom Fim, Horacina Corrêa tornou-se uma das primeiras grandes estrelas da música popular do Rio Grande do Sul. Dona de uma voz marcante, destacou-se ainda na década de 1930 como solista do tradicional Bloco dos Turunas, conquistando o título de Rainha da Folia de 1931 e tornando-se conhecida como "Patativa do Sul" e "Voz Morena da Cidade".
Em uma época marcada pela predominância masculina e branca nos meios de comunicação, Horacina rompeu barreiras ao integrar os elencos das rádios Difusora, Gaúcha e Farroupilha. Em 1938, escreveu seu nome na história ao tornar-se a primeira cantora gaúcha a realizar uma gravação fonográfica em padrão industrial, registrando, em Buenos Aires, o samba gaúcho Alto da Bronze. Sua carreira ultrapassou fronteiras, com gravações realizadas também na Itália e na Suécia.
Embora seu paradeiro após os anos 1960 permaneça desconhecido, pesquisadores vêm trabalhando para recuperar sua memória e reafirmar sua importância para a música brasileira. É justamente esse legado que inspira o novo projeto do Multipalco Eva Sopher, reafirmando a força da arte negra, da memória cultural e da representatividade nos palcos gaúchos.
Com ingressos a preços populares, entre R$ 20 e R$ 40, a programação convida o público a conhecer ou revisitar histórias que ajudaram a construir a identidade musical do Estado, ao mesmo tempo em que apresenta uma nova geração de artistas que mantém esse legado vivo.
Comentários: