Vivemos num tempo em que a palavra ganhou ainda mais velocidade. Em segundos, ela atravessa telas, percorre distâncias, invade corações — ou os destrói. A força de uma frase mal-intencionada, de um comentário velado, de um silêncio que grita, pode causar danos que nem sempre percebemos de imediato.
Quantas vezes ouvimos — ou dissemos — “capaz que eu faria isso”? E, mesmo assim, palavras foram ditas, marcas foram deixadas. É sobre isso que venho refletir hoje: o falso profissionalismo, aquele que se esconde atrás da amizade de anos, que se camufla sob o discurso do companheirismo, mas que usa o afeto como moeda de troca. A palavra, neste caso, vira instrumento de barganha, ferramenta de manipulação.
É o velho lobo em pele de cordeiro, que finge apoiar enquanto mina, que sorri ao mesmo tempo em que retira o chão do outro. Esses personagens existem — e estão mais próximos do que imaginamos.
Mas também é verdade que a palavra tem o poder de curar. Há quem use a fala para levantar, motivar, multiplicar afetos, unir forças. É esse uso que defendo. O da construção. Do apoio. Do afeto verdadeiro. A palavra pode ser ponte — ou abismo.
E aqui faço uma escolha: seguir. Agradeço imensamente aos amigos que amam, que apoiam, que vibram junto. E deixo meu repúdio aos que se alegram com a queda alheia, que sugam o outro em silêncio, até o fim. Isso não se esquece.
Porque ninguém cruza nosso caminho por acaso. E o mundo, esse mundo que parece imenso, é pequeno demais. Ele dá voltas. E voltas. E voltas.
E quando a gente se reencontra… a verdade aparece.
Eu escolho continuar. Fica a dica.

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