Quantos dias são aceitáveis para esperar o resgate de uma vida?
Essa pergunta ecoa, dolorosa, após a tragédia que envolveu a jovem que caiu na cratera do vulcão Ijen, na Indonésia. Ela estava em uma trilha — dessas que se vendem como experiências inesquecíveis, aventuras únicas — e caiu. O mundo acompanhou os flashes da tragédia. Mas o que veio depois foi um silêncio insuportável. Não um silêncio respeitoso, mas o silêncio do abandono.
Foram dias de espera. Dias de corpo no fundo de um abismo, sem cordas, sem pressa, sem socorro. E a pergunta inquieta: por que tanta demora? Onde estavam as equipes especializadas? Onde estavam os protocolos de emergência? Onde estavam as cordas da Indonésia? Onde estavam os amigos corajosos, os primeiros que dizem “vamos descer”? Onde estava o governo? E a empresa de turismo que levou até lá?
A resposta veio tarde — ou nem veio. A jovem, de pele negra, tornou-se apenas mais um número nas estatísticas da tragédia. Um corpo que agora precisa ser retirado, como se fosse um trâmite burocrático. Mas ela tinha nome. Tinha sonhos. Tinha vida.
E os portais de fake news? Os que só aparecem para ganhar curtidas e seguidores, mentir, acusar? Onde está o amor ao próximo em um mundo tão conectado, mas tão frio?
A tragédia do vulcão é também a erupção de tudo o que temos ignorado: o racismo estrutural, o desrespeito à vida, o despreparo de empresas de turismo de aventura, a indiferença estatal diante da morte de pessoas que não estampam capas de revistas ou não movimentam cifras milionárias.
Ela merecia mais. Merecia pressa, cuidado, empatia. Merecia ser salva. Não deu tempo. E agora, resta-nos a dor de uma pergunta sem resposta, ecoando nas encostas de um vulcão: por que demoraram tanto?

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