Vivemos tempos estranhos, tempos de golpes sofisticados e vendas vazias de alma. Cada vez mais, vemos uma avalanche de anúncios enganosos que não têm outra função senão enganar, explorar e arrancar até a última moeda do bolso alheio — confundindo-se entre pilantragem, negócios e autonomias financeiras de fachada.
É como se, em algum ponto, a linha entre o honesto e o desonesto tivesse se borrado, transformando o que antes era comércio em armadilha, e o que antes era relacionamento em vitrine para ilusões. Nas redes, as pessoas se escondem atrás de filtros, personagens cuidadosamente moldados para pescar likes e seduzir corações desavisados.
Quem, afinal, é de verdade? Quem fala com a alma? Quem merece o pouco de confiança que ainda nos resta? Parece que tudo virou uma disputa por atenção e engajamento, uma competição de promessas que nunca se cumprem. É tanta gente se declarando especialista, coach, mentor, empreendedor — tudo ao mesmo tempo — que já não sabemos em quem acreditar.
Ah, que saudade da velha carta escrita à mão, da caligrafia trêmula, do selo colado com cuidado. Ali, sim, havia verdade — não tinha algoritmo para manipular o afeto nem curtida para inflar o ego. Havia o tempo para pensar, a espera para receber, o abraço em cada palavra.
Hoje, com tantos filtros e rostos falsos, o mundo virou palco de vendedores de fumaça — e a fumaça, infelizmente, vende mais do que a honestidade. Ninguém sabe mais quem é quem. Profissionais de tudo e de nada.
No final das contas, é difícil não se sentir saudoso daquele mundo de cartas e conversas de verdade, onde não se engarrafava sentimentos nem se media o valor de alguém por números. Um mundo onde a credibilidade tinha preço — e esse preço era o respeito pelo bolso e pelo coração dos outros.
Quem dera voltássemos a isso.

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