Eles andam por aí, com o peito estufado e a alma esvaziada. São os que se julgam melhores, maiores, insubstituíveis. Vivem tragados por uma fumaça densa de autossuficiência, como se isso fosse medalha. Abominam a coletividade, repelem a ajuda, desprezam o conselho alheio. E quando alguém tenta colaborar, são os primeiros a cortar o laço — afinal, aceitar o fruto da figueira do outro seria, para eles, reconhecer sua própria carência.
Esses personagens, cada vez mais comuns no ambiente de trabalho e nas relações sociais, são os verdadeiros pobres de espírito. Carregam em si uma essência humana frágil, embrulhada em camadas de orgulho, vaidade e um tipo silencioso de preconceito: o preconceito contra o coletivo, contra a empatia, contra o compartilhamento.
Por que são assim? Talvez sejam tão ricos de miséria emocional que se afogam em suas próprias certezas. Talvez tenham aprendido a sobreviver negando o afeto. Talvez nunca tenham escutado — ou jamais quiseram ouvir — os velhos conselhos dos pais e avós, que sempre ensinaram a falar e cumprir, a estender a mão, a não deixar o outro pendurado no pincel.
O mundo de hoje valoriza o ego, celebra o sucesso individual, alimenta os que gritam mais alto — mesmo quando estão errados. Mas o erro, quando bem compreendido, é como o vento que embala as velas de um velho barco: pode nos levar ao farol da consciência. Pode nos tirar da rota da depressão e nos ensinar a navegar com humildade.
Precisamos, urgentemente, de mais verdadeiros. De gente que pense no “nós”, não apenas no “eu”. De homens e mulheres que não negociem seus valores nem se vendam à pilantragem política do egoísmo e do oportunismo. Que sejamos capazes de estender a mão, de ouvir, de dividir. Porque, no fim, o que realmente nos salva não é a razão inflada, mas a humildade compartilhada.

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