Os brasileiros descartam cerca de quatro milhões de toneladas de resíduos têxteis todos os anos. Em 2024, cada residência jogou fora, em média, 44 quilos de roupas e calçados. O impacto ambiental é alarmante: 80% desse material é incinerado, aterrado ou descartado em lixões, podendo levar até dez anos para se decompor.
Foi diante desse cenário e do desastre ambiental vivido pelos gaúchos nas enchentes de 2024 que o Instituto Justiça (IJ) encontrou uma solução criativa e de alto impacto social: o Projeto Recria-se.
Durante a mobilização de ajuda às famílias atingidas que resultou no envio de mais de duas mil toneladas de doações emergenciais a 40 mil pessoas no Rio Grande do Sul , o IJ percebeu que grande parte das roupas arrecadadas não poderia ser utilizada. Para evitar que virassem lixo, nasceu a ideia de dar um novo destino a esses tecidos e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades de transformação para quem mais precisava.
“Quando estávamos distribuindo as doações, olhamos aquela montanha de roupas e nos perguntamos o que poderíamos fazer para aquilo não virar ainda mais lixo. Foi exatamente nesse cenário que nasceu o Recria-se”, relembra Indiara Dias de Souza, fundadora e diretora geral do Instituto Justiça.
Do resíduo ao recomeço
Idealizado pelo Instituto Justiça e implementado pela Ciclo Reverso, empresa gaúcha especializada em economia circular e inclusão produtiva, o Recria-se já mostra resultados expressivos.
1,3 tonelada de resíduos têxteis reciclados;
64 mulheres capacitadas em corte, costura e técnicas de macramê;
R$ 69,2 mil em renda gerada para as participantes.
Mais do que números, o projeto representa histórias reais de superação.
Bianca das Neves, antes sem trabalho fixo, encontrou no Recria-se não apenas uma fonte de renda, mas também a chance de retomar sonhos: “Estou comprando materiais para reformar minha casa e, o mais importante, colocando os dentes que me transformaram em outra pessoa”.
Aos 60 anos, Jandira Lubas viu sua vida ganhar novo sentido depois de perder o emprego e quase entrar em depressão. “Trabalho o dia inteiro, vejo o resultado e posso pagar minhas contas. Isto faz eu me sentir viva de novo. Aprendendo, não me sinto velha”, afirma.
Já para Regina Moura, o impacto vai além da remuneração: “Pegamos material que seria considerado lixo e transformamos em uma obra de arte. É uma realização participar de algo tão importante e coletivo”.
Mais que produtos, histórias de impacto
O Recria-se já lançou um catálogo de produtos sustentáveis, como bolsas, mochilas, sacolas e estojos personalizados, que unem propósito e qualidade. Cada peça carrega consigo a marca da sustentabilidade e a força da transformação social.
“Participar do Recria-se é potencializar o impacto positivo na vida de mulheres em situação de vulnerabilidade social, através da capacitação e geração de renda, além da redução de resíduos têxteis no meio ambiente”, destaca Glenda Passuello, gerente do Instituto Justiça.
Empresas e instituições podem se engajar adquirindo produtos personalizados e contribuindo diretamente para a continuidade e expansão do projeto.
Sobre o Instituto Justiça
Fundado em 2020, em São Paulo, pelo casal Luis Felipe e Indiara Dias de Souza, o Instituto Justiça nasceu durante a pandemia com o propósito de levar justiça social às populações mais vulneráveis. Atuando em áreas como saúde, educação e meio ambiente, o IJ tornou-se referência em iniciativas que unem sensibilidade, inovação e impacto real. Cada projeto é um passo para construir um futuro mais justo, humano e consciente.

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