Num tempo em que o "match" substituiu o bilhetinho na mochila, e o "curtir" vale mais do que um sorriso trocado na pracinha, é preciso coragem para viver um relacionamento com profundidade. Neste Dia dos Namorados, convido à reflexão: por que está tão difícil ser cúmplice?
Cumplicidade não é só dividir um sofá ou a conta do streaming. É respeitar o tempo do outro, os silêncios, os espaços, as ausências temporárias. É caminhar lado a lado, não como quem compete, mas como quem constrói. E construir dá trabalho. É preciso abrir mão do ego, da pressa e da ansiedade por resultados imediatos.
Hoje, muitos se justificam num discurso de “modernidade” para não se comprometer. Dizem que os tempos mudaram, que o amor precisa ser livre — e tudo bem, desde que a liberdade não vire desculpa para o egoísmo. Antigamente, o amor tinha rituais. Tinha a espera de quarta-feira, o nervosismo do primeiro encontro sob o olhar atento dos pais, o respeito à família. Quando se cruzava a linha e uma nova vida surgia, vinha junto o compromisso, o pedido de casamento, o olhar no olho e a responsabilidade de ser presente.
Hoje, tudo é instantâneo. Beijos em apps, promessas em áudios de 10 segundos, amores em modo avião.
Mas eu escolho lembrar — e me inspirar — nos meus avós, que viveram a vida toda juntos. Nos meus pais, que seguem firmes há 50 anos, sustentando conselhos que, mesmo antigos, não perderam o valor. E depois de tropeçar em dores e traições, a vida, curiosamente, me presenteou com a minha companheira através da própria tecnologia. Alguém que também conheceu o chão da desilusão, e que agora, junto comigo, compartilha aprendizados, sonhos, silêncios e o bom e velho chimarrão de fim de tarde.
Não é sobre tempo, nem sobre romantismo ultrapassado. É sobre escolher estar. Escolher ser cúmplice. Escolher amar com respeito, lealdade e verdade.
Hoje, isso é revolucionário,
FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

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