Diante da intensa onda de frio que atinge a Capital gaúcha, com temperaturas próximas de 0°C, os abrigos para pessoas em situação de rua têm operado no limite da capacidade. Só na noite do último domingo (29), 385 pessoas procuraram acolhimento em espaços mantidos pela Prefeitura de Porto Alegre. O abrigo do Demhab (bairro Santana) recebeu 120 pessoas, o do 4º Distrito (Comendador Azevedo) abrigou 125, e os albergues Dias da Cruz, Acolher 1 e Acolher 2 acolheram 140 pessoas ao todo.
A rede de acolhimento da Prefeitura oferece 520 vagas divididas entre dois abrigos emergenciais e dois albergues permanentes, funcionando prioritariamente no período noturno: das 19h às 9h nos abrigos emergenciais e das 19h às 7h nos albergues fixos. A Operação Inverno, que segue até agosto, oferece além de abrigo, alimentação, kits de higiene, atendimento de saúde, espaço pet e transporte gratuito, além de rondas sociais para busca ativa da população em situação de rua.
Apesar dos avanços, a gestão pública enfrenta dificuldades em atrair parte dessa população aos abrigos, principalmente por questões como o uso de álcool e drogas, distúrbios de saúde mental, ou mesmo resistência às regras internas e horários. Para contornar essa realidade, os horários foram ampliados e a abordagem social intensificada.
Além do poder público, projetos voluntários como o Misturaí têm feito a diferença, distribuindo refeições quentes, cobertores, roupas e carinho humano. Com oficinas e acolhimento afetivo, essas iniciativas comunitárias reforçam o amparo em uma das épocas mais difíceis do ano.
Em resumo, as noites congelantes têm escancarado a dura realidade de quem vive nas ruas de Porto Alegre. A alta procura pelos abrigos reafirma a urgência de políticas de proteção social contínuas, com estrutura, escuta e humanidade.

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