O universo das bonecas reborn acaba de dar um salto — literalmente. Se antes o mercado era dominado por modelos que imitavam recém-nascidos, agora a nova obsessão são as chamadas “toddler reborn”: bonecas que reproduzem crianças de 2 a 4 anos, com altura que pode ultrapassar 1,20 metro, feições expressivas e até capacidade de ficar em pé.
Essas "crianças de mentira" estão ganhando espaço no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, onde lojas e ateliês artesanais começam a apostar no nicho. Mais difíceis de encontrar e produzir, os modelos toddler exigem moldes específicos e técnicas avançadas de pintura e escultura. O resultado? Bonecas com veias aparentes, lágrimas, cabelos implantados fio a fio e até funcionalidades como mamar e urinar.
Os preços acompanham o nível de realismo: modelos simples podem custar a partir de R$ 500, mas versões toddler mais sofisticadas chegam a ultrapassar R$ 7 mil. Em Belo Horizonte, por exemplo, a loja "Minha Infância" fatura cerca de R$ 40 mil por mês com a venda dessas bonecas hiper-realistas, que são comercializadas com enxoval completo e até certidão de nascimento.
A febre é tamanha que já extrapolou o universo dos colecionadores. Influenciadores digitais têm viralizado nas redes sociais ao simular situações cotidianas com suas bonecas toddler, como passeios em shoppings e visitas a hospitais, gerando tanto fascínio quanto polêmica. Em São Paulo, por exemplo, um encontro anual de "mães reborn" reuniu dezenas de entusiastas no Parque Villa Lobos.
Mas nem tudo são flores nesse universo encantado. A presença dessas bonecas hiper-realistas em espaços públicos tem gerado desconforto e até debates legislativos. No Amazonas, um deputado estadual chegou a propor a proibição de atendimento médico a bonecas reborn no sistema público de saúde, após um vídeo polêmico circular nas redes. Enquanto isso, em outras regiões, projetos de lei buscam reconhecer oficialmente os artesãos que produzem essas bonecas.
Seja como objeto de coleção, ferramenta terapêutica ou fenômeno cultural, as toddler reborn estão redefinindo os limites entre o real e o artificial. E, ao que tudo indica, essa tendência ainda está longe de atingir seu auge

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